<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357</id><updated>2012-01-29T02:38:26.903-02:00</updated><category term='Poema Livre'/><category term='Consegnato'/><category term='Aforismo'/><category term='Carta'/><category term='Conto'/><category term='Crônica'/><category term='Soneto'/><title type='text'>Desorganizo</title><subtitle type='html'>Memórias, nem tão dentro, nem tão honestas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>49</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-8597158851443241700</id><published>2012-01-29T02:38:00.000-02:00</published><updated>2012-01-29T02:38:26.912-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Ciano</title><content type='html'>dado dá seis faces&lt;br /&gt;eu quero sete&lt;br /&gt;se tivesse outra face&lt;br /&gt;há de haver outra chance&lt;br /&gt;a lançar outro lance&lt;br /&gt;que nos me acerte&lt;br /&gt;que a sorte verte&lt;br /&gt;cambando o sete&lt;br /&gt;na pintura em transe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pinto sete lances&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que a chance verta&lt;br /&gt;acerte e alcance&lt;br /&gt;a transa da sorte&lt;br /&gt;algo torto, algo forte&lt;br /&gt;benventurado&lt;br /&gt;na impossível chance&lt;br /&gt;de acertar o&lt;br /&gt;fim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-8597158851443241700?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/8597158851443241700/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2012/01/ciano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8597158851443241700'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8597158851443241700'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2012/01/ciano.html' title='Ciano'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1175422863730325116</id><published>2011-11-29T20:01:00.001-02:00</published><updated>2011-11-29T20:11:12.561-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Escracho</title><content type='html'>Vem dizendo que me ama&lt;br /&gt;É para o nosso bem&lt;br /&gt;E pede desculpas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha hipocrisia compartilhada&lt;br /&gt;Só podia ser curada&lt;br /&gt;Com teu sangue ou tua lágrima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me esquece&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ou se joga de um prédio&lt;br /&gt;E me leva contigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1175422863730325116?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1175422863730325116/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/11/escracho.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1175422863730325116'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1175422863730325116'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/11/escracho.html' title='Escracho'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1214503938414572248</id><published>2011-11-28T20:05:00.001-02:00</published><updated>2011-11-29T14:03:57.260-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Daquele tempo sobra o fim e nada menos</title><content type='html'>Um parque idílico no Centro, com uns bancos de pracinha incongruentes com os carros que passavam a dois quarteirões dali pisando oitenta e tossindo buzina. O ar estava pastoso de neblina perto do mar porque era cedo e o sol não prometia vingar, mas quem vingava em final de julho? A segunda meia maçã do ano começaria com efeito só dali a umas semanas. A mãe desfrutava de uns dias mais tranquilos no escritório com sua pequena cria, que desconhecia o trabalho da mamãe e o parquinho perto dos aviões. Caminhavam perto da murada ao largo do passeio público, passando por uns desocupados que alentavam ao som das turbinas misturado com o chiado de marola. A mulher gostava de visitar aquele lugar que fora seu último cartão postal antes de migrar alguns aniversários para um país frio de pessoas frias e cerveja quente; quisera viver de novo, reviver, sobreviver o último verão de moça. Seu olhar perdido na baía contradizia o foco de seu filho tão espantado com os passarinhos de metal carregando luz e gente e mala e tudo pra longe dele e dali. O olhar dela se perdia no chiado das marolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foi passando que passou por um homem que estatuava na murada como um imponente guarda do mar com seus óculos escuros e o cigarro que acendia um isqueiro bem caracterísco. O fogo chamou a atenção da mulher, que o reconheceu de pronto. Fogo verde. Esse aparelho, só quem o possuía era seu velho conhecido. Hesitou, rememorou e tomou iniciativa de abordá-lo com o filho firme na mão. Perdeu o compasso da respiração faltando três passos. O homem tinha o rosto virado serenamente para as marolas, mas parecia que as observava mais com os ouvidos. Gostava de inclinar a cabeça de vez em quando, de forma a apurar a audição, e a mulher achou graça desse movimento quase involuntário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vem, Dante, senta aqui no murinho. Vamos ficar olhando os aviões? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lá, mãe, posando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo, vamos contar quantos pousam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem respirou um pouco do cigarro e virou o rosto para o núcleo familiar ao seu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lívia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tamanha era a justiça daquela expressão, que ela se conformou e apenas fez que sim com a cabeça. Ele era pura frieza, ou melhor, distância. O homem ao seu lado emanava distância na careta vazia que fazia ao encarar incerto a mulher, até que germinou um risinho complacente no canto do dente. Ela se rendeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...Oi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, oi. Haha. Bom te encontrar, Lívia. Bom mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Irônico. Mas bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, mas que coincidência, né? Também é bom te ver... Dante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garotinho se virou para responder o chamado da mãe. Ela afagou o cocoruto do pequeno e se voltou pro homem que, a dois palmos, parecia encarar o infinito depois da esquina. Algum dos pulmões dele expulsou fumaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que foi, mamãe?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada, filho. Hahaha, o nome do tio é igualzinho ao seu, viu? Vocês dois têm o nome mais lindo da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&amp;nbsp; Nunca vi esse tio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha os modos, Dante. Isso é falta de educação, já lhe disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa ele, Lívia! Ele tem razão, não é, rapaz? É bom ser sincero, então vou te contar. Já fui namorado da sua mamãe, faz um tempão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher ficou corada, mas foi incapaz de repreender a ousadia honesta do homem que se dirigia ao seu filho. Pra ela o passado que acontecia antes de sua viagem permanece lá, bem guardado, na esperança de ser esquecido. Não pudera esquecer os olhos verdes de Dante, nem do prazer dele ao tocar sua pele branca como cocaína. Na sua cabeça estava agora passando todas as justificativas que se impusera, de forma a justificar seu êxodo. Houve o medo. Houve todas as coisas, os planos, as decepções. Seu corpo viciara o dele e quisera fazer um mal que fosse diluído no prazer. Quando ele a olhava, era para olhar no fundo da alma e fazer a culpa e o desejo formigarem nas pernas deitadas. Aquelas quatro pernas se entrecruzavam e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta, Dante, deixa meu filho fora disso. Filho, já foram quantos aviões?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Foi quatro gaviões, mãe. Tem mais um ali, olha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não entendia por quê ele escondia os olhos por trás dos óculos escuros que antes tanto odiara. Uma turbina de avião desequilibrou seu olhar e ela se pegou fitando direto nas lentes escuras. O pudor lhe virou o rosto e não viu quando o homem se voltou para o mar e riu um suspiro quieto, depois tragou. Ele continuou a embalar o azul baiano até que ela pegou de leve na sua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que droga. Desculpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não se desculpe. Não agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra tragada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já foi, não dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já foi. Não tenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  Poupe-me das suas filosofias. Não quero tentar, assim como não quis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está aí uma grande verdade - as narinas sopravam devagar, atrasando o tempo para pensar - Sabe, ontem eu te amava. De quem é o menino?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não fiz contigo, óbvio; ele tem três anos... Foi de alguém, é adotado, só dei carinho. E o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você sempre dizia isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto apontou para uma barca que cruzava a baía e chamou sua mãe. Ela rapidamente voltou a atenção para ele e se fez esquecer. O céu leitoso tirava toda a graça de viajar naquele barquinho, justificou a mãe para a criança, pois então eles iriam outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem fez menção de se levantar. A mulher levou novamente suas digitais para perto dele, mas conseguiu retrair o toque. Não se achava no direito de atrapalhar a paz em que ambos reinavam até alguns aviões atrás, nem queria lembrar que fora em um deles que ela foi embora para nunca mais. O nunca durou pouco, depois durou muito, e até ontem mesmo esse nunca era definitivo. Ele se virou cuidadosamente e se içou sem muito equilíbrio. Ela ainda não entendia o porquê daquele olhar que, se antes era fogo verde, agora era maresia escondida. Decidiu que ia perguntar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez menção de falar, mas o homem abriu uma bengala e tateou alguns passos incertos. O barulho dos toques do apoio se perdeu no ruído chiado pelas marolas. A criança perguntou, Dante virando um infinito depois da esquina:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mãe, chama aquele tio pra voar de gavião com a gente?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1214503938414572248?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1214503938414572248/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/11/daquele-tempo-sobra-o-fim-e-nada-menos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1214503938414572248'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1214503938414572248'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/11/daquele-tempo-sobra-o-fim-e-nada-menos.html' title='Daquele tempo sobra o fim e nada menos'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1268326153039821658</id><published>2011-11-07T23:32:00.001-02:00</published><updated>2011-11-07T23:33:12.513-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Ritmado</title><content type='html'>Estou enfadado de fado.&lt;br /&gt;Saudade, a besta pantera,&lt;br /&gt;Devora agora a hora.&lt;br /&gt;Pudera ser dela passado!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dado momento atrasado&lt;br /&gt;Quis dela somente a vera.&lt;br /&gt;Verdade importa agora&lt;br /&gt;Somente à pantera e ao fado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera morrer um bocado&lt;br /&gt;De ruga e viver; de alento&lt;br /&gt;À fera ao passado que impera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém a verdade, a vera,&lt;br /&gt;Ignora a passagem do tempo&lt;br /&gt;Que aperta o olho enrugado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1268326153039821658?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1268326153039821658/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/11/ritmado.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1268326153039821658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1268326153039821658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/11/ritmado.html' title='Ritmado'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-2430508687833580195</id><published>2011-10-01T00:27:00.000-03:00</published><updated>2011-10-01T00:27:57.056-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta'/><title type='text'>Feliz aniversário</title><content type='html'>A palavra dita é corrosiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lidar com a força de um som que sai e instantaneamente marca a pele é demais para alguém que ama e se encontra no meio de um furacão. Diabos, na minha praia nem ao menos ocorrem furacões. O Rio de Janeiro não abrigava furacões nem terremotos antes de conhecê-lo. Essa geografia me deixa enjoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O diálogo sempre foi difícil e isso era esperado, foi tudo muito novo e vertiginoso. O garoto mal me conhece e vende a alma, vende promessas e me compra o coração. Demorou, mas eu vendi também. Dei, na verdade. Não conhecia o chão que estava pisando no maldito dia em que extendi a mão e deixei ele entrar. A vantagem dessa confissão escrita é que eu não tenho que falar nada na sua cara (de pau). A palavra dita é corrosiva. Não quero corroer, quero só dar um tapa bem forte na bochecha esquerda dele e olhar enquanto ele fica vermelho sem as tais palavras. É de vergonha? Deveria ser. Eu iria me virar e sair, se soubesse sair sozinha daí dessa sua praia distante; sairia com o nariz empinado e o peito acelerado, batendo fundo lá pertinho do chão. Ele iria se arrastar pelo asfalto e ficar sujo de guimbas e de poeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, ou você, sei lá... Ele, melhor assim, não estou com coragem ainda de te olhar nos olhos de novo. Ele se preocupou tanto em me fazer feliz. Ele conseguiu. Não mais? Sei lá. Agora não estou com coragem. Estou enjoada. Na minha casa a família pergunta "e como anda o garoto?" sem saber que você foi a melhor coisa que me aconteceu nesses últimos tempos. Eles só liam o meu rosto corado do amor estampado na navalha. Suas palavras tão lindas, de deixar qualquer uma derretida, foram carvão e navalha. Agora me deixa de lado que eu tenho que curar o corte estúpido que você queimou em mim. Para de ser perfeito, para de me fazer te amar, pra eu poder respirar um pouco fora dessa fumaça toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero te ferir! Quero muito... Desgraçado, eu quero te cortar com a mesma força das palavras ditas por ele. Só não quero corroer. Falar não vai levar a nada, só à corrosão. Quero deixar cheio de hematomas. Fechar a mão e levá-la direto à sua bochecha esquerda pra fazer o vermelho ficar roxo. Assim você acordaria amanhã e iria se ver no espelho com muita raiva de si mesmo, e você iria socar o espelho. O vidro iria cortar a sua mão - eu seria esse caco. Ia afundar na sua pele, mas não iria te corroer porque eu sou uma idiota. É que a mulher tem disso, amar o garoto e deixar ele te machucar sem deixar de amar. Os homens tinham que aprender um pouco com isso e ser idiotas também, pois vocês só sabem prometer e mentir. Só sabem um coisa, a mesma coisa, são sempre promessas e mentiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu deus, não consigo me livrar desse enjoo. Hoje é o aniversário da nossa comunhão e eu aqui, tentando salvar os cacos de vidro sujos do seu sangue. Considerando tudo, esse sangue também é um pouquinho meu, desde que você me sequestrou o peito e disse que ia fazer uma casa pra ele pertinho do seu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuta, garoto, eu te amo. Pro inferno com essas palavras todas. Só quero você de volta quando eu me acalmar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-2430508687833580195?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/2430508687833580195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/10/feliz-aniversario.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2430508687833580195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2430508687833580195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/10/feliz-aniversario.html' title='Feliz aniversário'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-2422650636060828432</id><published>2011-09-11T22:11:00.001-03:00</published><updated>2011-09-11T22:14:08.750-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Aquário e molotov</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Meu tio é fanático por pesca. Vida marítima, pesca esportiva, coleções de peixes exóticos, quase lhe brotam as guelras quando sai de férias. Esse hobbie torna sua vida de trabalho duro menos estressante, e a sua alegria ao chegar em casa é alimentar e observar os peixes que habitam um enorme tanque que divide a sala de estar em dois. Aquele colosso de vidro, pedrinha e barco pirata naufragado abriga uma miríade colorida de cidadãos muito diferentes entre si que se respeitam mutuamente e não há conflitos. É fascinante. Tudo é provido por meu tio e todos eles vivem em paz.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dia desses me interpelam com um tapa-pergunta na cara: “E pra você, o que é política!?”.&amp;nbsp; Não sei responder. Estava levemente embriagado e muito feliz, duas coisas que impedem um ser humano de refletir sobre assuntos que não lhe dizem respeito. Mas será que não diz? Queria poder dizer que não, que isso é assunto pra 1968 e seus universitários com alguma idéia mais firme na cabeça. Queria poder dizer que política é que nem futebol e religião, ipsis litteris de meu tio em conversa durante jantar de família – acomodado, olhando para os seus peixes ali do lado e fazendo a digestão. Os peixes me dão então uma idéia.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não seria o aquário a forma perfeita de sociedade?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A vida é pacata; a comida, farta, ritmada, homogênea. Suas fezes flutuam à volta e o asseio é alheio a você. Diabos, sua memória dura três minutos e seu cérebro é do tamanho de um grão de arroz inchado. Todo mundo é diferente, ninguém come ninguém, não há predatismo nem sexo. Uma mão enorme é Deus, existe claramente e aparece duas vezes ao dia, coberta de luz, para prover. Só falta a televisão ali, em frente ao sofá. Isso é política.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que eu quis dizer com essa minha tentativa de polêmica, de ironia? Isso também é política.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outro dia desses um grande amigo meu, muito feliz e levemente embriagado, se disse orgulhoso de ser cria de anarquista. Essa lembrança me veio meio difusa, diluída nos outros pensamentos, mas eu sei que fará algum sentido daqui a pouco. Espera... Depois eu retomo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que eu quis dizer com essa minha tentativa de polêmica, de ironia, é política. O ato de fazer política &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;per se&lt;/i&gt; para mim é defender seu ponto de vista, e isso só resulta em polêmica ou ironia. Ou você se abala, se ofende pela proposta, ou a desmerece e a subestima. É um jogo de cabo de guerra que de acordo com os princípios da física é um grande desperdício de energia cinética. O aquário é perfeito porque não gera conflito e não se desperdiça energia, portanto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agora sim! Voltando ao meu nobre amigo anarquista, ele me confidencia saber ser o anarquismo uma proposta política natimorta. E o que é mais fascinante, isso não o impede de sempre a defendê-la com unhas e dentes. É o contrário de nosso aquário: a vida é conflituosa e o prazer é esse, ensaiar levantes, levar pancada, bater a poeira e gritar novamente. Idealismo puro e honesto, estúpido e fascinante. Quem afinal estaria com a razão?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A verdade – esta pantera – é companheira inseparável do sensato prepotente e do tolo idealista, comumente confundíveis. Política, meu caro, é, portanto, que nem religião e futebol. Vamos deixar pra depois da cerveja.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-2422650636060828432?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/2422650636060828432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/09/aquario-e-molotov.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2422650636060828432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2422650636060828432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/09/aquario-e-molotov.html' title='Aquário e molotov'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1257966291763365617</id><published>2011-08-14T19:57:00.000-03:00</published><updated>2011-08-14T19:57:18.217-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aforismo'/><title type='text'>Esse deve ser o seu ciúme</title><content type='html'>Estou apaixonado por você quase tanto quanto eu sou apaixonado pelas minhas tardes na Urca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1257966291763365617?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1257966291763365617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/08/esse-deve-ser-o-seu-ciume.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1257966291763365617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1257966291763365617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/08/esse-deve-ser-o-seu-ciume.html' title='Esse deve ser o seu ciúme'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-8808873810999539558</id><published>2011-08-11T10:38:00.000-03:00</published><updated>2011-08-11T10:38:51.472-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Cercania</title><content type='html'>O pombo era o mal necessário daquela cidade,&lt;br /&gt;As amêndoas também.&lt;br /&gt;Os mendigos, o lixo, o asfalto.&lt;br /&gt;Aquele tapete que o passante pisa.&lt;br /&gt;Sem chão não há passante.&lt;br /&gt;Uns poucos flutuam, o resto se arrasta,&lt;br /&gt;O certo é que ninguém se importa,&lt;br /&gt;Mas todos precisam dele&lt;br /&gt;Para seguir para os lados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toca pro lado, nas sarjetas paralelas&lt;br /&gt;E os quarteirões quadrados caretas&lt;br /&gt;Não deixam ver a curva do mundo&lt;br /&gt;Que não é redondo.&lt;br /&gt;A esfera é perfeição geométrica&lt;br /&gt;E nosso chão é indigno e imperfeito.&lt;br /&gt;Tem praia, tem montanha,&lt;br /&gt;Mas isso tudo é loteado.&lt;br /&gt;Pra vencer essa organização artificial&lt;br /&gt;Só mesmo o mal,&lt;br /&gt;O mau,&lt;br /&gt;O pombo, o mendigo, o asfalto esburacado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fórmula para acordar aquela cidade&lt;br /&gt;Era o cerco do lixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-8808873810999539558?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/8808873810999539558/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/08/cercania.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8808873810999539558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8808873810999539558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/08/cercania.html' title='Cercania'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1865715935505335034</id><published>2011-07-22T00:46:00.001-03:00</published><updated>2011-07-22T00:47:12.504-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Perceptive</title><content type='html'>A lembrança começou com aquela flor no sapato, presa ali entre os cadarços sujos de caminhar depois da chuva. Estava despedaçada, seus restos depositados despreocupadamente sobre o chão de frio anormal. Assim como a flor. Eu recolhi o que consegui enxergar carinhosamente, botando com cuidado os restos sobre meu caderno em uma débil tentativa de recompô-la. Ela era linda, cheia de cores, apesar do estado deplorável de conservação. Assim como a lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pétalas, as cenas, ambas estavam fora de foco. Minha ansiedade foi subindo pela garganta, e só parou quando botei os óculos novamente em frente aos olhos. Eu os havia tirado para descansar os pensamentos. Outra vez com as janelas abertas, minha alma então jorrou as cenas represadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não importa a musa, mas o poeminha que escrevia seguia assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uma mulher é como um livro novo, um violino em staccato, uma sombra em praia deserta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um livro é como um arpegio em um piano, o Centro na quarta-feira, um segundo olhar feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um contrabaixo é como um bar silencioso, uma ninfomaníaca, uma redondilha em cavalgada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mesa posta na calçada é como uma mulher espalhafatosa (uma prostituta?), um poeminha de Bandeira, um violão chorando"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lembrança se perdeu!, seguida da morena flor. A pequena era frágil e não aguentou a sorte que lhe veio junto com o vento e aquele amigo trazendo conversa pela porta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1865715935505335034?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1865715935505335034/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/07/lembranca-comecou-com-aquela-flor-no.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1865715935505335034'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1865715935505335034'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/07/lembranca-comecou-com-aquela-flor-no.html' title='Perceptive'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-4216303160941018067</id><published>2011-06-21T23:00:00.005-03:00</published><updated>2011-06-21T23:02:58.575-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Dois pontos</title><content type='html'>Todaessaproximidadecausadesconforto,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; a&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; distância&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; é &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; insustentável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou difícil de agradar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-4216303160941018067?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/4216303160941018067/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/dois-pontos.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4216303160941018067'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4216303160941018067'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/dois-pontos.html' title='Dois pontos'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-7802418971926512877</id><published>2011-06-19T21:01:00.000-03:00</published><updated>2011-06-19T21:01:22.462-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Verde confusão</title><content type='html'>Há quem ouça o que alego?&lt;br /&gt;Me enxergo como um cego,&lt;br /&gt;Mas eu nem quero mais me ver.&lt;br /&gt;Ser eu mesmo é não mais ser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se tantos ouvem, eu prego&lt;br /&gt;Que me nego. A vocês nego&lt;br /&gt;Condição para me conter.&lt;br /&gt;Ser sozinho é mais não ser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois sempre tive tantos egos&lt;br /&gt;Pra vestir, que tive apego&lt;br /&gt;Por alguns em que pude crer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum deles mais eu carrego,&lt;br /&gt;Para trás eu ando e chego&lt;br /&gt;A sentir perto, longe ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-7802418971926512877?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/7802418971926512877/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/verde-confusao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/7802418971926512877'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/7802418971926512877'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/verde-confusao.html' title='Verde confusão'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-2746758073829292081</id><published>2011-06-09T22:24:00.000-03:00</published><updated>2011-06-09T22:24:54.615-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Aforismo'/><title type='text'>Aforismo</title><content type='html'>Amor honesto é tatuagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-2746758073829292081?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/2746758073829292081/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/aforismo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2746758073829292081'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2746758073829292081'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/aforismo.html' title='Aforismo'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6984586655254653212</id><published>2011-06-02T00:56:00.000-03:00</published><updated>2011-06-02T00:56:13.013-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Aspirações Frias</title><content type='html'>Cinco graus de puro frio francês cortando o casaco de grife, desses que não esquenta, apenas ostenta. Eu, esperando na fila de embarque para voltar ao Rio, estava me agarrando ao maldito casaco na esperança de espremer um pouco de compaixão dos fios de lã. Com o Charles de Gaulle deserto, minha única distração era tentar imaginar o porquê de tantos lugares pelo mundo receberem esses nomes de milicos famosos. É, o tempo não estava passando. Nesse meio tempo, o casal do meu lado se abraçava firmemente; abraçavam juras que chegaram a me comover por um segundo. Enquanto minha vez não chegava, passei a bolar ataques terroristas à Ponte Rio - Niterói e acabar de vez com essa palhaçada de Costa e Silva todo feriado. Será que ninguém ligava mais pra isso? O casal insistia, chorava , fazia um pequeno drama dantesco naquela fila imóvel. Nem notaram quando atrás deles uma menina, nos seus 13 ou 14 anos de pura inocência, puxou um celular do bolso e começou a filmá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu amor, eu te amo tanto... Promete que vai me ligar quando se lembrar de mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, meu docinho, vou te ligar toda hora! Não vou parar de te ligar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena cineasta aspirante captava indiscreta o clima meloso. Dava voltas no casal, procurando ângulos de beijo hollywoodiano. Achei fascinante o interesse da menina em cena tão romântica. Indiferentes àquilo, as outras pessoas na fila olhavam seus relógios como se os ponteiros fossem movidos pela força do pensamento. Eu já havia desistido de imitá-las e estava mais interessado era na cena que ia se compondo na minha frente. A menina se esforçava para manter a câmera firme enquanto o casal destilava frases que pareciam ter sido retiradas de algum filme recente que tivesse “amor” no título. Querendo saciar minha curiosidade, cheguei-me perto da menina e fui puxando conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eles estão realmente inspirados, esses dois. E aí, menina, como está indo a filmagem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, tio, é pra um curta-metragem. Pra escola.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tio!? Vá para o inferno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Legal. É sobre o que? Amor, lugares românticos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não. É sobre como as pessoas ficam idiotas quando estão apaixonadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fila começou a andar. Voltei devagar para perto das minhas malas e esfreguei as mãos para espantar um pouco o frio. Prometi a mim mesmo duas coisas: começar a fumar quando voltar pra França e botar na cabeceira do berço da minha futura criança alguns Neruda, só por precaução.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6984586655254653212?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6984586655254653212/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/aspiracoes-frias.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6984586655254653212'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6984586655254653212'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/06/aspiracoes-frias.html' title='Aspirações Frias'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6919629024216880466</id><published>2011-05-19T19:38:00.001-03:00</published><updated>2011-06-02T00:56:53.322-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Expresso com cachaça</title><content type='html'>Hoje e sempre, ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, e sempre ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje é sempre ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje o mundo parou um pouco para mim. Talvez não por mim, mas eu parei ele bem no meio do seu dia. Ele não deve nem ter notado, as pessoas que passavam com gravata ou câmera também não. Elas só queriam trabalhar, turistar, andar. Elas corriam no espaço para vencer o tempo que as instigava. O tempo delas não parou. Sequer piscaram para não perder tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim elas continuaram negando. Não perder e não parar são dogmas tão inflamados e incutidos na cabeça dos passantes! Eles perdem por não parar. Há talvez (sempre talvez, a ciência é a mais incerta das religiões) uma relação entre espaço e tempo que se resume, em palavras toscas, a um eixo cartesiano de referência. As quatro dimensões (três espaciais, uma temporal) que medem esse eixo partem de um ponto comum e buscam confortar nossa compreensão humana nos fazendo um cafuné, sorrindo e falando com uma voz afável: "calma, é tudo relativo; só há um porém: ninguém enxergará o mundo no mesmo ritmo que o seu". Estar posicionado em um lugar específico não poderia ser menos específico para a compreensão espacial humana; o tempo de cada um é particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, hoje eu experimentei a sensação de estar em uma fotografia na qual as pessoas em volta se mexiam, mas só eu vivia. Veja bem, eu não me movimentava. Elas não paravam. Ainda assim, a singularidade do instante se fez presente no ritmo frenético nas minhas veias e na apatia da correria alheia. Pensei, e pensei muito. Falei pouco, pois tive a sorte de dividir esse momento com uma pessoa. Ela pode não ter percebido, mas o tempo dela também parou o nosso mundo. A insanidade dessa freada brusca é muito pessoal, difícil de se materializar fora da mente de quem a vive. Se meu egocentrismo humano não for falso, e eu tiver nascido para contribuir com os meus pares, eu quero que minha herança seja o estímulo para um exercício fundamental para a paz e o engrandecimento do espírito: se habitue a parar e pensar. Dentro de si questione o porquê do que acontece ao seu redor, ou simplesmente admire a beleza da harmonia de quem anda ao seu lado. Aquele chão, aquela menina ou aquela música estão ali para ser pensados. Um ser pensado tem valor, um ser pensante valoriza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, e o expresso com cachaça? Beba um pequeno gole da cachaça envelhecida, deixe-a formigar na boca e engula. Logo depois, beba um gole do expresso bem quente, com pouco açúcar. A sensação é lenta, como se o seu mundo parasse, e fica melhor ainda se for dividida com alguém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6919629024216880466?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6919629024216880466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/expresso-com-cachaca.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6919629024216880466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6919629024216880466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/expresso-com-cachaca.html' title='Expresso com cachaça'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-8392114911598902533</id><published>2011-05-10T21:25:00.000-03:00</published><updated>2011-05-10T21:25:23.849-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Até dez minutos</title><content type='html'>Sempre que ganha voz, o homem&lt;br /&gt;Costuma consumir o homem.&lt;br /&gt;Tantos pares que se consomem&lt;br /&gt;Pra emergir da multidão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois tudo que eles produzem,&lt;br /&gt;Todos eles que se produzem&lt;br /&gt;Com tamanho ímpeto jovem,&lt;br /&gt;É pra ganhar a multidão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos tanto o talento...&lt;br /&gt;Ainda que eles o provem,&lt;br /&gt;Afundam, fugazes que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é montando o momento&lt;br /&gt;Forjando a voz, que o jovem&lt;br /&gt;Ganha a fugaz emersão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-8392114911598902533?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/8392114911598902533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/ate-dez-minutos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8392114911598902533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8392114911598902533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/ate-dez-minutos.html' title='Até dez minutos'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-5326440125775121275</id><published>2011-05-05T10:34:00.002-03:00</published><updated>2011-06-02T00:56:34.667-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Reflexão sobre o caminho da ideia</title><content type='html'>Não há ser pensante e autoconsciente sem um par.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Linguagem é ferramenta entre pares, e só entre pares. Percepção de significância é outra instância, talvez mais universal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A percepção de significância seria a interpretação similar de um gesto, som ou imagem por dois receptores que não dividem a mesma constituição biológica e bagagem audiovisual/cultural. Dois seres diferentes. A interpretação se daria em processos de comando ou indicação, não permitindo o diálogo direto; ela funciona, como exemplo simplista e claro, na relação de domesticação de animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A linguagem, em nível concreto, é baseada no dualismo. Uma ideia só é compreendida qquando sua contraparte é conhecida. Conhecer, no caso, se dá por meio da experiência sensorial, sem capacidade de abstração de valores quantitativos ou qualitativos, apenas a medição por si só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seu nível abstrato, a linguagem perde os parâmetros gerais de comparação. Os valores assumem aspectos de universalidade e imparidade. As contraposições abstratas são, na verdade, nuances de um mesmo conceito. Nossas capacidades sensoriais não agem em nível abstrato, salvo em interpretações errôneas. Transcender a sensação corresponde a aspirar à universalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja impossível a um humano compreender plenamente a universalidade. Talvez sejamos indignos. Talvez ela não exista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-5326440125775121275?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/5326440125775121275/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/reflexao-sobre-o-caminho-da-ideia.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/5326440125775121275'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/5326440125775121275'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/reflexao-sobre-o-caminho-da-ideia.html' title='Reflexão sobre o caminho da ideia'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-8016707939503551975</id><published>2011-05-03T11:31:00.002-03:00</published><updated>2011-05-05T10:37:32.642-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta'/><title type='text'>Desconfessado</title><content type='html'>Um grande problema na sua beleza é a agressividade. Veja bem, não estou a falar de sua postura; seu corpo respeita qualquer percepção de perfeição. Sua atitude, aparentemente contida ou simplesmente reservada, também não consegue chegar nem perto de um comportamento alterado. Chega a ser engraçado imaginar algo assim, talvez seria parecido com um filhote de tigre aspirando ser tão terrível quanto sua contraparte adulta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o que me intimida em sua beleza? Mais do que isso, é necessário dizer, ela me causa pavor. As presas expostas, o olhar ferino à espera... Beleza predadora. Sim, é essa sensação de ser caçado que me arrepia e me contrai todos os músculos do corpo - e me estimula. Minha predadora involuntária é agressiva sem nem ao menos esboçar esforço, fazendo minha adrenalina subir com um suspiro apenas. Ela me faz estar sempre em estado de alerta, apreensivo, ansioso. Na verdade, é uma perseguição cansativa; a presa em constante busca por sua cruel caçadora, cena irreal e honesta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso é uma grande besteira. Sou eu tentando canalizar minha frustração e minha covardia em uma imagem que não representa nada. Talvez hoje eu me levante e fale; amanhã eu posso ainda estar reunindo coragem. A única gota de honestidade nesta confissão é o meu pavor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-8016707939503551975?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/8016707939503551975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/desconfessado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8016707939503551975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8016707939503551975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/05/desconfessado.html' title='Desconfessado'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6496858178810780768</id><published>2011-04-25T00:49:00.002-03:00</published><updated>2011-04-25T00:49:12.325-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Contos de almoço</title><content type='html'>Como era bom o cheiro exalado pelo feijão, feito carinhosamente pela avó! Aquele odor era uma experiência multifacetada, sinestésica, que levava às narinas figuras deliciantes e toques macios representados pelo sabor e o som do feijão. Chegava até a causar uma leve confusão na cabeça fresca e faminta do infante, que brincava distraído na sala da casa com seus blocos de montar. Ele passava a imaginar cenas inteiras baseadas somente naquele cheiro, e como ele era bom! Banquetes medievais a luz de velas e com bardos tocando seus alaúdes, bobos tendo seus ossos quebrados e a corte fazendo o que uma corte fazia... Ou quem sabe, depois de assistir a tantos desenhos na manhã, fosse uma mesa de jantar colonial, em um sítio folclórico no interior do Rio de Janeiro, com uma figura matriarcal, roupas caipiras e muitos animais ao redor da casa. Animais e monstros, o que inevitavelmente incidia em uma refeição nipônica. Alheia aos répteis atômicos e aos alienígenas invasores, a família se serve, em suas cumbucas lindamente pintadas, de algas cruas, peixes crus, vegetais crus e litros de saquê para catalisar a digestão. Tantas cenas passando por sua cabeça deixavam o garoto ainda mais faminto ao se sentar à mesa, e o sinal de ataque dado pela avó o liberava para uma luta injusta e calmamente travada contra o prato de feijão preto. Seu cheiro se espalhava por todo o quintal da casa. As árvores pareciam poder sintetizá-lo e converter em energia para si o que antes era material de construção para mundos imaginários. O menino acabava sempre por dar um cochilo após o almoço; sonhava com dinossauros e cavaleiros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6496858178810780768?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6496858178810780768/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/04/contos-de-almoco.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6496858178810780768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6496858178810780768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/04/contos-de-almoco.html' title='Contos de almoço'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-5203760811862635887</id><published>2011-03-30T18:57:00.001-03:00</published><updated>2011-03-30T18:57:52.734-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consegnato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Fé na corda bamba</title><content type='html'>Os dedos na ponta de cada pé&lt;br /&gt;Permitem que meu passo saia reto&lt;br /&gt;Equilibrando-me no corpo ereto&lt;br /&gt;Mas os dedos não me resguardam da frustração&lt;br /&gt;E o que empurra o corpo (não fisicamente, mas do lado de dentro)&lt;br /&gt;Ignora aqueles dedos, fazendo-me curvar, perco o centro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha ventura é falha,&lt;br /&gt;Mas brindemos a ela para encorajar:&lt;br /&gt;Boa fortuna à minha ventura,&lt;br /&gt;Que a cura da sorte é andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;De autoria conjunta de Arthur Rivelo e Rafael Spínola.&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-5203760811862635887?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/5203760811862635887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/03/fe-na-corda-bamba.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/5203760811862635887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/5203760811862635887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/03/fe-na-corda-bamba.html' title='Fé na corda bamba'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-4654272510775050506</id><published>2011-03-28T19:35:00.001-03:00</published><updated>2011-03-29T00:58:31.642-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Consegnato'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Um poema</title><content type='html'>Ele começa com um amigo&lt;br /&gt;E uma manhã cinzenta de domingo&lt;br /&gt;Na janela, nada mais que um pingo&lt;br /&gt;Quando um fantasma cruzou comigo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuto a orquestra do frio&lt;br /&gt;Eu fumo, eu faço fumaça&lt;br /&gt;Eu sou o fantasma em mim&lt;br /&gt;Da morte, matriz; morreu-me a massa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passa?&lt;br /&gt;O tempo é frio, mas me assa&lt;br /&gt;Me cozinha,&lt;br /&gt;Me enlaça&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto o nada me abraça&lt;br /&gt;Simplesmente esqueço os meios&lt;br /&gt;Absorto em uma visão branca&lt;br /&gt;Me esqueço, me perco, me fluo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que desgraça!&lt;br /&gt;Nunca na vida senti tanto frio&lt;br /&gt;O vidro, meus suspiros embaça&lt;br /&gt;E eu torcendo pra não acabar no vazio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando finalmente faço sentido&lt;br /&gt;Sol, céu e mar se invertem&lt;br /&gt;Acabando com o meu abrigo&lt;br /&gt;E no meu mundo se metem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gelado trio&lt;br /&gt;Amo, da tortura, o frio!&lt;br /&gt;Forte tempo, com força eu torço&lt;br /&gt;Para que, em um tempo largo&lt;br /&gt;Quando eu for mais moço&lt;br /&gt;Seja desse roto rebanho o mago&lt;br /&gt;Que agite do gado o osso&lt;br /&gt;Sol, céu e mar: magros como o tempo&lt;br /&gt;Mar, céu e sol na ponte sobre um rio&lt;br /&gt;Caudaloso com seu vento frio&lt;br /&gt;Gelado trio&lt;br /&gt;Amo, da tortura, o frio!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;i&gt;De autoria conjunta de Arthur Rivelo, Fernanda Prestes, Fernanda Novaes, Gabriel Menezes, Júlia Kastrup, Leonardo Fiuza e Rafael Spínola.&lt;/i&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-4654272510775050506?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/4654272510775050506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/03/um-poema.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4654272510775050506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4654272510775050506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/03/um-poema.html' title='Um poema'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1414256317104836469</id><published>2011-01-08T17:24:00.004-02:00</published><updated>2011-01-08T20:27:31.057-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>As rugas do Universo</title><content type='html'>Ele já estava tendo essa conversa há horas, entretanto seu interlocutor insistia em não retrucar. Fica difícil ouvir uma resposta quando se está falando com o Universo. O garoto não se importava, na realidade; embora sua realidade tivesse sido distorcida havia dias. Dias talvez, talvez anos. Ele iria no futuro pensar na tal conversa e rir, contando para seus filhos como era ser jovem anos atrás. E quando as crianças, pelo menos duas, forem para a cama sonhando com dinossauros coloridos e histórias de gente adulta, o garoto não será mais garoto. A lágrima pertinente que irá escorrer amanhã, como escorre agora, leva a conta-gotas sua juventude. O tempo passa para ele, mas não para seu interlocutor. O Universo desconhecia as belezas do envelhecimento porque sua existência era condição para que se contassem as horas, e não o contrário. Como explicar para ele que em um certo momento, o momento certo brilhou para um homem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Universo então respondeu com o seu silêncio. Ao menos o garoto interpretou assim, e ficou satisfeito por não estar falando sozinho. Esse mesmo menino continou com seu argumento: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Livre do tempo a gente não sonha, não sente saudade nem ama; a gente se apega porque sabe que vai perder. E quem pensaria que a liberdade, princípio primeiro da consciência humana, poderia representar algum perigo? Pois eu quero envelhecer, e quero envelhecer lembrando que vivi amando e perdendo. Melhor do que existir e suplantar a afeição pelo que fenece. Definhar, por um lado, é um processo capaz de motivar o maior esforço de superação. E eu digo que qualquer estória deve ter sua incerteza localizada em seu meio, e não em seu fim. Qualquer estória, qualquer vida, ou talvez até mesmo os dias e os anos mereçam a dádiva da dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lágrima outra caiu nessa hora, mas não fora do garoto. Começara a chover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viu como você é capaz de entender? Como deve ser triste não saber o valor de uma ruga. Mais que uma ruga, uma pergunta ou uma lembrança. As rugas são apenas consequências... Nosso rosto fica contraído pelo esforço de rememorar os questionamentos da juventude. As rugas são apenas consequências...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém o garoto ainda não conseguira falar abertamente do ponto em que queria chegar. Tinha vergonha, medo de se sentir tolo na frente de tamanha autoridade. O Universo seria para ele um Deus, um irmão e um juiz. Todos escrutinavam suas ações, e provar para eles suas intenções era das mais difíceis iniciativas de sua vida. No fundo, essa conversa era apenas isso, uma conversa? Não, não poderia ser. Se não fosse sério, ele não teria o Universo, em sua trindade, diante de si. Portanto lhe faltava coragem ou certeza, e ambas compartilhavam um inimigo comum: o medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Medo? Que assim seja, não temo ele. Eu lhe venço na ironia, se quiser me enfrentar! Sim, sinto o medo como qualquer um que já pensou três vezes antes de falar. Quero deixar claro que não gostaria que ele fosse embora. Gosto da sensação de estômago embrulhado quando alguém que importa está se afastando, isso é coerente. Gosto da sensação nas mãos, quando elas tremem, antes de me expor. Gosto da vergonha antes do primeiro beijo. E gosto de dizer adeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma vitória fácil, pois ele era um inimigo antigo e previsível. Todo o temor que assolava os dedos do garoto parou de agitá-los. Ele repousou os dedos diante do rosto, entrelaçados, depois deitou sua testa sobre os punhos. Sem notar, ficou em uma posição de oração. Era a hora certa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sua maior qualidade é o infinito, mas já provei que isso não é importante. Agora que tenho você ao meu nível, vou mostrar como é insignificante aquilo que lhe comove e lhe segura no chão. Abdiquei de minha juventude, de minha segurança e de minha certeza. Isso porque queria ser abraçado por um momento. Esse momento por um instante realmente me abraçou! Todas as formas de energia que movem sua (ou nossa) matéria convergiram um pouco para mim. Egoísmo? Sim, pode parecer que é; ainda assim o faria de novo, e de novo... Porque sentir afeto é a maior recompensa que um mortal pode ter. É sua maior maldição também, mas quem liga? Agora você já sabe porque roubei de você essas horas: pra lhe dizer que amei!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então era isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto tinha certeza, mas o Universo entrou em crise. Por que dedicou tanta atenção a um simples garoto tolo? Havia mais dimensões naqueles poucos metros que os separavam do que o menino seria sequer capaz de entender! Fora um truque, só podia ser, mas... Foi nesse momento que o grande ser percebeu: acabara de convergir para o garoto, tomara forma e presenciara a agonia feliz pela qual ele passava. Como fora ingênuo! O Universo havia entrado no jogo, capturado pelo menino. Agora pretendia sentir raiva. Não aconteceu, não foi capaz, e o grande ser começou a se preocupar com o que se passava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garoto deu um sorriso, chorando mais um pouquinho, e executou o Universo com um tiro de misericórdia na boca do estômago: deixara-o com medo. A partir desse momento eles se mantiveram abraçados constantemente, sem saber. Tinham medo da verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1414256317104836469?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1414256317104836469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/01/as-rugas-do-universo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1414256317104836469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1414256317104836469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2011/01/as-rugas-do-universo.html' title='As rugas do Universo'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6255398307484520733</id><published>2010-12-15T23:24:00.000-02:00</published><updated>2010-12-15T23:24:06.617-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>O gosto do malte</title><content type='html'>Com uma cerveja doce&lt;br /&gt;Eu encanto com minha flauta&lt;br /&gt;Nietzsche, uns macacos&lt;br /&gt;Um bom filme e meus amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma cerveja salgada&lt;br /&gt;Eu tempero um samba&lt;br /&gt;Brincando de bamba&lt;br /&gt;Em mais uma noite quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma cerveja azeda&lt;br /&gt;Ignoro a conversa fiada&lt;br /&gt;Fecho o rosto, calado&lt;br /&gt;E penso no gosto da solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma cerveja amarga&lt;br /&gt;Sento com velhos companheiros&lt;br /&gt;E no ombro do passado&lt;br /&gt;Choro o tempo que passou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6255398307484520733?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6255398307484520733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/12/o-gosto-do-malte.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6255398307484520733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6255398307484520733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/12/o-gosto-do-malte.html' title='O gosto do malte'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6247263696059147057</id><published>2010-12-05T16:55:00.000-02:00</published><updated>2010-12-05T16:55:55.584-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Os abutres</title><content type='html'>Foi quando olhei para o alto&lt;br /&gt;Que notei, moribundo&lt;br /&gt;A Fome descendo em espiral do céu.&lt;br /&gt;Deitara por dor&lt;br /&gt;Ou cansaço&lt;br /&gt;Não importa.&lt;br /&gt;Olhava para cima, porque então&lt;br /&gt;Não mais reagia ao chão.&lt;br /&gt;"Os pontos, o que serão?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia naquelas tantas asas&lt;br /&gt;Uma morbidez digna.&lt;br /&gt;Não sabia ainda&lt;br /&gt;Talvez nunca venha a saber&lt;br /&gt;Uma resposta&lt;br /&gt;Para sua vinda.&lt;br /&gt;Infrutífera questão&lt;br /&gt;Eu perguntava em vão.&lt;br /&gt;"Quando esses carniceiros virão?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Natureza descia em mim&lt;br /&gt;E o punhado de terra&lt;br /&gt;Que insistia em sustentar meu parco corpo&lt;br /&gt;É quem mostrou&lt;br /&gt;Quanta frieza&lt;br /&gt;E quanta beleza&lt;br /&gt;Eu teria em me deixar.&lt;br /&gt;Espreguicei-me no conforto da areia,&lt;br /&gt;O roto começou a puir.&lt;br /&gt;Não me importa quem serão...&lt;br /&gt;Ignoro saber quando virão...&lt;br /&gt;"Venham agora, e me abracem como a um irmão!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6247263696059147057?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6247263696059147057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/12/os-abutres.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6247263696059147057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6247263696059147057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/12/os-abutres.html' title='Os abutres'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1630048391484216172</id><published>2010-11-17T01:55:00.001-02:00</published><updated>2010-11-17T02:08:00.629-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Umas frases de desencontro</title><content type='html'>Espero cada minuto, cada&lt;br /&gt;Segundo, cada instante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olho para o relógio, mas&lt;br /&gt;Ele teima em ficar parado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Procuro o que fazer,&lt;br /&gt;Mas não há nada importante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que consiga me&lt;br /&gt;Manter ocupado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada que consiga ser&lt;br /&gt;Tão constante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto o desejo&lt;br /&gt;De estar ao seu lado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-             -----             -&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você destrói o meu&lt;br /&gt;Discernimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sacia através&lt;br /&gt;De sofrimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo voa&lt;br /&gt;Preguiçoso, lento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o momento&lt;br /&gt;Em que sai em disparada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você, próxima&lt;br /&gt;Misteriosa e calada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me olha e me mata&lt;br /&gt;Sem dizer nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ironicamente&lt;br /&gt;Com a vida acabada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sinto mais vivo&lt;br /&gt;E você é a culpada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é o veneno&lt;br /&gt;Que mais me agrada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1630048391484216172?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1630048391484216172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/11/frases-do-desencontro.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1630048391484216172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1630048391484216172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/11/frases-do-desencontro.html' title='Umas frases de desencontro'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-4054562550189648627</id><published>2010-10-11T23:27:00.001-03:00</published><updated>2010-10-11T23:28:19.067-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Debaixo da arrebentação</title><content type='html'>Aquele homem possuía fortes lembranças de uma certa ponte da cidade. Frequentara quando criança, usando-a de trampolim para mergulhar em um infinito salgado e se deixar levar pela maré. A ponte que abrigava barcos, a que sustentava carros, que equilibrava pedestres. Passarela branca sobre a entrada de uma área protegida perto do porto. Ele a cruzava nos dias de chuva, sempre olhando para o mar que lhe banhava os pés, nunca sabia se da ponte ou dele. Sob sol de verão, não importava. O corpo buscava mergulhar até a base da sustentação, parecia ser uma provação chegar tão fundo só para mostrar ser capaz! E ele era. Seus pulmões doíam enquanto apenas um punhado de raios solares iluminava os pés daquela apoteose submersa, invisível a olhos distraídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passaram-se anos e o homem se distanciou. Era homem do continente agora, insensível à maresia quase sólida daquele antigo recanto. Ele era homem telúrico: desaprendeu a nadar. Nem chegou a reparar quando isso aconteceu. Também ignorou quando suas narinas desacostumaram ao cheiro constante do sal, assim como a pele foi se tornando seca. Vivia sobre o chão que equilibrava prédios, sustentava avenidas e abrigava poluição. Havia carros, pessoas também, mas sempre retilíneos, enfileirados. O homem sentia falta de algo, mas não sabia exatamente o que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Constantemente em ofício; O homem era ocupação. Quanto mais se ocupava, mais oportunidades de se sobrecarregar ele tinha. E ele o fazia. Cada vez mais, cada onda de trabalhos arrebentava, exercícios espumavam sobre si, suas leituras corriam para os lados e se derramavam sobre o vazio de uma cama dura e mal iluminada. Apenas o sexo não tinha ritmo. O homem precisava escapar da sua vida e não sabia para onde correr. Sempre escorregava quando começava seus passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugir era inútil, então ele se entregou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas deitou e deixou que a maré o levasse um pouco. Lembrou, alegre, daquelas marolas que lhe entregavam aos braços da ponte branca. A imagem não durou muito à sua volta, logo alguém veio lhe trazer à tona. Disseram-lhe que a vida seguia e que era preciso viver para acompanhá-la de perto. O homem mergulhou de novo, várias vezes mais ele tentou se desvencilhar das mãos que o traziam para a superfície, mas sempre havia dedos para agarrar-lhe a gola e impedir que se afogasse. A frustração foi crescendo por dentro, doendo como um pulmão privado de ar. E o ar nunca vinha, apenas goles de água. A respiração rítmica deu lugar a soluços em leve desespero, logo os soluços eram pranto e as lágrimas inundavam o quarto; paredes claustrofóbicas, a água escorria por elas e pelo chão ficava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega um momento em que o ar acaba. Pois nesse momento, a solução do homem foi se afogar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-4054562550189648627?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/4054562550189648627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/10/debaixo-da-arrebentacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4054562550189648627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4054562550189648627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/10/debaixo-da-arrebentacao.html' title='Debaixo da arrebentação'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6482056273848642944</id><published>2010-09-28T00:05:00.000-03:00</published><updated>2010-09-28T00:05:04.771-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Imolação</title><content type='html'>Ela me queima! Essa que perfura&lt;br /&gt;Todo meu frio, essa inverdade:&lt;br /&gt;Você amou! Loucura, é loucura...&lt;br /&gt;Mas a mentira inventa saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha lembrança da temperatura&lt;br /&gt;Ainda arde como aquela tarde&lt;br /&gt;De um verão do passado sem cura.&lt;br /&gt;Sem um começo, a cena me arde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa lembrança quente nunca finda,&lt;br /&gt;Nunca irá. Serei cego, ainda&lt;br /&gt;Que a verdade passe com alarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À luz do fogo, sei ser incapaz&lt;br /&gt;De qualquer dia alcançar a paz,&lt;br /&gt;Por pura perda irreal que arde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6482056273848642944?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6482056273848642944/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/09/imolacao.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6482056273848642944'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6482056273848642944'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/09/imolacao.html' title='Imolação'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1872947676038642958</id><published>2010-09-03T10:07:00.000-03:00</published><updated>2010-09-03T10:07:01.866-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Nutrir meu pesadelo</title><content type='html'>Olhos fechando no mundo.&lt;br /&gt;A sensação de perigo&lt;br /&gt;Que me congela o umbigo&lt;br /&gt;Teme o sono profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto teu peso nas costas.&lt;br /&gt;Só, estou preso contigo,&lt;br /&gt;Fardo obeso em abrigo&lt;br /&gt;Sob o quer rezo; tu gostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queres que logo me deite,&lt;br /&gt;Sentes a sede, as feras,&lt;br /&gt;Vezes nem mesmo esperas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para sorver em deleite,&lt;br /&gt;Enquanto meu lobo fores,&lt;br /&gt;As gotas dos meus temores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1872947676038642958?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1872947676038642958/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/09/nutrir-meu-pesadelo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1872947676038642958'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1872947676038642958'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/09/nutrir-meu-pesadelo.html' title='Nutrir meu pesadelo'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-8222915893307199083</id><published>2010-08-23T00:09:00.002-03:00</published><updated>2010-08-26T20:15:55.443-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Um dia</title><content type='html'>Vi a vida; ela ria&lt;br /&gt;Da gestão de um novo feto -&lt;br /&gt;Humano, fraco e quieto -&lt;br /&gt;E do destino da cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntei-a se havia&lt;br /&gt;Graça em nossa mazela,&lt;br /&gt;Pois a vida ria dela.&lt;br /&gt;Dela mesma ela ria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A dádiva e a mazela&lt;br /&gt;São a mesma" disse ela,&lt;br /&gt;"É certo, morre e procria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para completar seu elo!"&lt;br /&gt;Com um sorriso amarelo&lt;br /&gt;Também ri da ironia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-8222915893307199083?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/8222915893307199083/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/um-dia.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8222915893307199083'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8222915893307199083'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/um-dia.html' title='Um dia'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-7672583353014846156</id><published>2010-08-15T23:03:00.000-03:00</published><updated>2011-11-15T20:31:58.215-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Alvorada e infância</title><content type='html'>Sinal fechado. Esquina iluminada, um oásis gélido naquele deserto em breu. Ela caminha a passos lentos na sarjeta, e a sarjeta responde com sons de batidas ocas a cada golpe dos saltos altos e extravagantes. Eles são dourados. Suas alças cobrem uma meia-calça escura, que sobe até se fundir com a saia curta e preta. Casaco felpudo e preto, camisa curta e preta, apenas aqueles saltos brilham na penumbra afastada do poste. E o sorriso de repente se abre, brilha junto dos saltos, em reposta à oportunidade: o carro parado no sinal não anda quando a luz verde acende, ficando um momento estático em sua posição. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quebrando o silêncio, o vidro escuro do carro desce para revelar um homem jovem que oferece calor em seu sorriso. Ele parece polidamente convidá-la com os olhos. A mulher, alheia à sutileza do flerte, anda até a janela aberta e oferta seus alvos seios em uma sedução patética. Há certo desgosto agora nos olhos do jovem, mas suas palavras são quentes e firmes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Me fale o seu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se surpreende com o pedido, julgando desnecessária tal intimidade assim, tão direta. Pondera sobre ser seguro dizer seu nome verdadeiro, mas na falta de argumentos, ela se deixa levar pelo conforto na voz do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Clara, querido, ao seu dispor - o garoto não responde, se limitando a olhar demoradamente o rosto dela. O silêcio dura alguns segundos arrastados, até que a mulher o espanta com certa impaciência - Então, vai querer levar, mocinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele aparenta ser alguns anos mais novo que ela. Sua juventude, apesar disso, transparece uma austeridade incomum. Rosto sério, modos educados e um calor que emana de seu sorriso. Abrindo por dentro a porta do carona, com um convite sem palavras ele recebe de bom grado a companhia vistosa no assento vizinho. A mulher se ajeita sobre o banco e ri quando ele oferece ajuda, achando engraçado todo aquele galanteio. Ele sorri para ela mais uma vez e acelera o carro para dentro da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amplas ilhas de luz fraca são fornecidas pelos postes que rasgam a paisagem, permitindo um conhecimento parco entre os dois. Ele fixa sua atenção ora nas mãos brancas, ora no perfil da estranha, as únicas partes expostas de seu corpo naquela noite fria. Ela demora seu olhar sobre o jovem quando ele não a encara. Como aqueles olhos são penetrantes, pensa. Ela prefere observar discretamente. Nota poucas peculiaridades nele, além de uma beleza oprimida por ares de solidão, até chegarem em um prédio residencial no centro da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro é parado em uma vaga e o rapaz se apressa em abrir a porta para a mulher, que agradece com um sorriso e se levanta roçando seu corpo no dele. Os pelos arrepiados no braço o deixam embaraçado, e ela aproveita para provocá-lo ainda mais correndo a mão sobre seu peito. O jovem, a despeito de qualquer nervosismo, afasta os cabelos dela com seus dedos em um gesto de afeto. Agora os rostos estão perto, e ele galga centímetros lentamente. O primeiro beijo atrasa o tempo e arrasta um silêncio de deleite enquanto suas mãos a prendem delicadamente perto de si, e ela pensa novamente o quanto aqueles olhos são penetrantes mesmo quando estão fechados. A mulher, sentindo os músculos dele contraídos, apoia o rosto na bochecha do rapaz e sussurra em seu ouvido:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Agora eu entendi, garoto. Você é virgem... Mas a gente resolve isso. Prometo te ensinar tudo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não é isso. Será que é difícil perceber? - ele soa um pouco frustrado, mas disfarça com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não precisa mentir para mim. - ela abaixa mais ainda a voz e cola os lábios no ouvido dele. - Vamos fazer o seguinte: essa é por minha conta, mas só porque eu te achei uma gracinha, garoto. - e voltando ao tom normal - Vamos logo, estou ficando ansiosa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a guia até um elevador, afagando seus cabelos durante a curta subida, e a puxa pela mão até uma porta de madeira envernizada e pesada que traz aconchego a um prédio aparentemente moderno e frio. Assim como aqueles olhos, pensa a mulher, sem conseguir afastar da mente a íris que parecia despi-la com um pudor talvez até infantil. Ela se deixa entrar, absorta na visão da sala com poucos móveis confortáveis e de bom gosto, e se espanta ao perceber que o jovem rapidamente lhe aparece com uma taça de vinho e um convite sorridente e tímido para se sentar no sofá. A mulher se ajeita sobre almofadas e ri quando ele lhe entrega a taça. Agora ela não mais consegue fazer seus jogos vulgares, sendo conquistada pelo ambiente caseiro que apenas tem sua intimidade aumentada quando o rapaz se senta ao seu lado e volta a afagar seus cabelos. Sem poder reagir, nem que realmente o quisesse, ela deita sua cabeça sobre o ombro dele e fecha os olhos por longos minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longos e sublimes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora tudo corre naturalmente, os beijos mostram aos lábios o caminho até pescoços e ombros. Com os pelos na nuca eriçados e os olhos ainda fechados, ela o visualiza à sua frente tirando seu casaco e blusa. Ela agora tem medo de abrir os olhos, abri-los poderia fazer toda aquela cena desaparecer da sua mente. Um desejo ardente de tatuar aquele momento na sua vida toma conta de sua lucidez; lucidez essa que se esvai quando ele termina de despi-la e a esquenta com seu próprio corpo agora também nu. Amor. Ela não pensa em mais nenhuma outra palavra. E sabe que ele seria incapaz de fazer-lhe mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alvorada arde levemente nos olhos dela. O sol ainda está escondido, mas os primeiros fachos mornos são capazes de acordá-la suavemente. Sentindo uma felicidade profunda, ela busca se situar, e descobre estar envolvida nos braços do rapaz dentro de um quarto, sobre a cama mais aconchegante em que já se deitara. Havia deitado em muitas. Essa lembrança amarga a traz a um estado de remorso, culpa por seu passado perante uma criatura tão pura e que fora tão sincera com ela. Culpada pelo destino imposto, pensa, mas que ironia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bom dia, Clara...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz rouca é sussurrada em seu ouvido com enorme afetividade. Ainda assim, a culpa cresce. Se dilata por dentro. Ela precisa se desculpar, pedir perdão, mas seria completamente incapaz de pôr em palavras sua sensação. Ele nunca entenderia! O que fazer então? Custa a acreditar na resposta que soa baixinho dentro de si, mas afinal se sente decidida, sabendo ser essa a única solução que a deixaria em paz consigo mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando abre os olhos, procurando aquela que há alguns minutos estivera sob seus braços, ele a vê vestida e em pé, ao lado da cama. Ela o está observando, parece já estar assim por um bom tempo, e seus olhos estão vermelhos. Parece murmurar um pedido de desculpas antes de desviar seu olhar para o chão. Ele corre para abraça-la ainda nu, preocupado. O silêncio explica a ansiedade que se afunda no estômago dela. Nunca antes percebera tamanha magnitude em uma sensação alheia. Quer dizer isso para ela, mas seria completamente incapaz de pôr em palavras sua compreensão. A mulher o envolve em seus braços, espantando-lhe o frio que corre pelo quarto. Eles apenas se abraçam em silêncio por longos minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela sai correndo. Deixa-o estarrecido ao lado da cama, em toda a sua nudez, e corre rapidamente até a varanda. Atravessa o vidro que a prende na sala, há cortes por todo o seu corpo. Os estilhaços voam ao seu redor, voam pela sacada e a acompanham até a queda livre. Finalmente, livre. Mesmo tendo de abdicar daquele que lhe ensinou a sentir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfazendo-se dessas últimas imagens na sua cabeça, ela se levanta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da melhor maneira que consegue, ela explica que se sente terrivelmente culpada por seu passado. Se sente suja. Sua vida nunca lhe dera outra chance e ela fez o que tinha de ser feito, mas agora estava arrependida. Cada lembrança contada é acompanhada por uma lágrima sua e um olhar quieto dele. Desabafa as agressões, as perversões e os limites ultrapassados para que pudesse se manter durante anos, sem ser capaz de buscar outra solução. A mulher, reduzida ali diante do jovem, volta a se sentir uma criança que procura outra para acompanhá-la: quer se sentir pura novamente, talvez apenas brincar e depois dormir, acordar mais tarde e ainda ser uma criança. Ele entende e lhe abraça, ainda sentado na lateral da cama, o colo. Acolhido entre os seios dela, ele entende.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não quero nada de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De maneira tortuosa, cada um compreende seus desejos. Nenhum som, nenhum barulho naquele quarto agora iluminado amplamente pela alvorada afeta a conversa silenciosa que ocorre entre os olhos penetrantes e a alma infantil. Os amantes brincam e depois dormem. Mais tarde naquele dia, eles acordam ansiosos e descobrem que ainda são crianças.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-7672583353014846156?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/7672583353014846156/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/alvorada-e-infancia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/7672583353014846156'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/7672583353014846156'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/alvorada-e-infancia.html' title='Alvorada e infância'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-547696501710784535</id><published>2010-08-04T23:34:00.001-03:00</published><updated>2010-08-05T13:26:32.368-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Em espera</title><content type='html'>Bom, infelizmente meu tempo é curto&lt;br /&gt;E nao sei se caracteres em uma tela&lt;br /&gt;Terão paixão ao aparecer pra você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é um tipo de Romeu virtual...&lt;br /&gt;E quero que continue sendo, enquanto essa for nossa realidade possível.&lt;br /&gt;Até a minha tela poder ser seu rosto de novo e a sua o meu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dragão Filosófico&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-547696501710784535?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/547696501710784535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/em-espera.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/547696501710784535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/547696501710784535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/em-espera.html' title='Em espera'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1671364461093282197</id><published>2010-08-04T04:17:00.003-03:00</published><updated>2010-08-04T19:11:32.080-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Racional</title><content type='html'>A umidade nas folhas mostrava o calor que a estava atormentando, perdida em uma clareira entre tantas árvores altas e folhas mortas caídas no chão. Formavam um belo tapete, mas ela não podia afastar do pensamento o fato de que também formavam um túmulo adequado para acolher sua cria. Sabia ser isso parte da vida, pois a natureza não lhe negava nada e nem permitia ter seu desejo negado. Seu filho se estendia ainda morno sobre o forro bucólico; sua boca estava seca de tentar acordá-lo em vão. Após tantas tentativas frustradas, ela desistiu e se deitou ao seu lado. Não estava propriamente inconsolável, mas bem ciente da tristeza que cobria aquela cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cena não poderia ser mais banal: cada criatura capaz de fazer barulho por entre as folhas o fazia, cacofonia inabalável e intermitente. O som entrecortado de pios e arrulhos e guinchos e lamúrios de seres famintos ou libidinosos compunha uma sinfonia de tamanha variação rítmica que seria quase insuportável para ouvidos destreinados. Os próprios ouvidos da mãe, antes abaixados por respeito ao seu filho, saíram de um silêncio interno para se atordoarem com o espantoso volume que se sucedia ao seu redor. Esses mesmos ouvidos a levaram para onde estava agora, quando um estampido violento assustou aves para fora de seus ninhos momentos antes. O tempo ocorrido entre o curto estouro e a corrida até a clareira pareceu uma eternidade, até mesmo para ela, que pouco entendia de tempo. A revoada ainda se agitava no céu no momento em que ela deitou seus olhos no espaço aberto da mata, verde maculado por um filete vermelho que corria entre algumas folhas mortas. O líquido morno dava vida àquela matéria orgânica depositada caprichosamente no solo. O calor ainda atormentava a cabeça dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando uma outra fonte de calor chamou sua atenção para um lado próximo da clareira. Na verdade, havia toda uma trilha quente que ligava o corpo estendido no chão a um filete de fumaça que vinha da mata. A trilha era acompanhada de um forte cheiro amargo, estranho ao ambiente. A mãe não compreendia o que se passava, mas instintivamente entendeu o que viria a seguir. Eriçou suas orelhas e apurou seu faro, mas era tarde demais, sabia que não seria capaz de reagir. Apenas tentou cercar seu filho, protegê-lo do que quer que viesse tentar se aproveitar de seu corpo inerte. Ela se recusaria a partir vendo sua cria sofrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O estampido foi de uma rapidez piedosa. O calor e o susto a fizeram se sentir desconfortável a princípio, mas a mãe se esforçou para parecer calma diante dos olhos vazios de seu filho. Deitou-se ao seu lado a tempo de ver uma criatura estranha e alta vir em sua direção através da vegetação. Fechou os olhos e deixou vir a escuridão. Ou a luz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---+*+----+*+---&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem estava deliciado com o resultado. Como era sortudo! E também inteligente, é claro... Sua astúcia lhe rendera uma ótima caça. Não acreditava como esses animais eram estúpidos. Bastou acertar o filhote e vejam só, ponto a favor do mais evoluído... Após esbravejar suas comemorações para a mata a atirar uma vez mais de forma a afastar aquelas malditas aves barulhentas, recolheu seu prêmio e voltou para casa pensando na melhor maneira de contar seu feito para os amigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1671364461093282197?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1671364461093282197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/racional.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1671364461093282197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1671364461093282197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/08/racional.html' title='Racional'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1827384214365346838</id><published>2010-07-04T00:00:00.006-03:00</published><updated>2011-08-04T18:20:13.972-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Alegoria da minha paz</title><content type='html'>Primeiro foi a tevê. A sala ali, estática, agindo como se não se importasse. E lá foi o aparelho, seguido pelo rádio e seus arrojados altofalantes. Carlos estava sentado no sofá, e agora não havia mais sofá. Ele olhou a cena distante, logo ali do seu lado, mesmo assim distante, e perdeu sua noção de espaço junto com a mesa de centro, que levou com ela os controles e a decoração de cactos artificiais. As paredes acompanharam, e de repente Carlos viu que tudo ao seu redor estava em um estranho processo. Concentrou-se um pouco e observou o horizonte, vendo o asfalto e as árvores serem suspensas no ar. Cada prédio, cada pedestre estava sumindo no ar. Logo não havia mais ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois foram as certezas. Saíram em disparada de sua cabeça aquelas ideias que acostumaram Carlos a ficar acostumado a elas. Perderam-se na fuga o preconceito, o racismo, a fé e a moral. Estavam entre essas ideias mais outras, muitas outras, mas se perderam. Os rostos dos conhecidos e as figuras que lhe disseram ser necessário conhecer; tantas pessoas enchiam sua memória e em um súbito pânico controlado elas simplesmente saíram. Levaram consigo toda arte, guardaram nos bolsos o que acharam de ciência. Deixaram quieta em seu canto a filosofia. Não sobrou nada mais, cada gota ou grão de lembrança debandou de Carlos e o deixou sem saber ao menos quem era ou se era alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando com certa agonia, Carlos tentou em vão ficar cônscio daquilo que se passava. Mas não havia mais consciência - ele estava reduzido a si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seu pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro veio o pensamento. Não partira de verdade, apenas estava mais vívido agora. Livre de tudo o que fosse, solto do mundo, Carlos era. Ele era algo em construção. Cada peça que antes compunha Carlos estava ausente, mas ainda assim ele era algo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos era. Justificando-se por uma lógica irrefutável, compreendeu ser seu saber fruto e prova de sua existência antes de qualquer outro pressuposto. Era necessário um ente para que houvesse o saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos era um. Apenas uma voz se pronunciava em sua mente. Podia ser confortável tentar apoiar sua lucidez em outras existências, mas sua individualidade lhe garantia tanto a liberdade de ser quanto a responsabilidade de sê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos era um homem. Um punhado de impulsos elétricos percorrendo a massa disforme de células. Uma mente. Um ponto sem espaço nem tempo, um vácuo no qual residia seu eu. Ele então compreendeu sua humanidade - ser alguém em lugar ou instante algum, e ainda assim se fazer presente no seu devido local e momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois veio a calma. Toda a energia morna acumulada naquele momento de ignorância, espanto e reconhecimento explodiu em uma serenidade reluzente. O calor percorreu átomo por átomo dos seus membros e descansou na ponta de seus dedos. Carlos foi tomado por uma infantil sensação perene de paz, e isso o deixou feliz. Sequer havia resolvido a questão, mas sorria ao considerar-se capaz de questionar. Talvez a vida se tratasse disso. Carlos não mais se importava com resoluções e propostas, compreendendo ser seu rumo apenas o caminho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1827384214365346838?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1827384214365346838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/07/alegoria-de-minha-paz.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1827384214365346838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1827384214365346838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/07/alegoria-de-minha-paz.html' title='Alegoria da minha paz'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-4527637609080143485</id><published>2010-06-19T01:17:00.001-03:00</published><updated>2010-06-19T01:27:06.407-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Sobre uma certa viagem</title><content type='html'>12:06&lt;br /&gt;As obrigações para com o mundo colocavam um Rapaz neste exato lugar, nesta exata hora.O banco do ônibus era o último lugar no universo que ele gostaria de estar agora. A coletividade tornava-o incapaz, a mercê de quem viesse e se servisse do espaço em anexo. Achava realmente desconfortável estar assim tão próximo de algum possível contato aberto com a humanidade, em toda a sua amplitude, mas até agora o cosmos conspirou a seu favor: o território conquistado ainda se encontrava imaculado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:17&lt;br /&gt;Seu constrangimento era evidente; fones de ouvido, mochila no colo e um olhar fugidio eram suas muralhas. Até agora ninguém havia ousado quebrar o silêncio imposto, nenhuma senhora sedenta por frivolidades ou trabalhor disposto a resolver as desigualdades do mundo com conversas politizadas. Tudo corria bem, dentro do possível. E dentro daquele ônibus saculejante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:21&lt;br /&gt;A porta traseira abre, pessoas são empurradas e um profeta de coletivos assume posição de combate diante da catraca - ele era a perfeita figura de um algoz. A paz até então reinante ruiu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:24&lt;br /&gt;Palavras desconexas, relatos de uma vida sofrida (e recorrente entre esses profetas; eles podiam até ter retórica, mas nem um pouco de imaginação), panfleto com mensagens genéricas e um pedido por trocados, em troca de paz de espírito e Jesus. O Rapaz engatilhou sua melhor expressão estóica e lutou como pôde. Queria apenas que aquela provação acaba-se. Talvez até passar uma lição para o torturador profeta: "Você acha mesmo que Jesus foi o semideus templário e ariano que você fica caricaturando? Pare de assistir televisão e vá ler um livro...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:25&lt;br /&gt;Quando achava que toda a emoção da viagem havia terminado, o Rapaz de repente sente seus olhos atraídos de volta à catraca. Não esperava encontrar logo ali alguém que despertasse seus sentidos assim tão abruptamente. Conseguiu se manter aparentemente calmo, mesmo ficando arrepiado. Uma mulher que o deixasse assim, arrepiado, era algo raro. Era uma beleza rara, dessas que não se encontra em um ônibus. O Rapaz ficou sem ação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:25:47&lt;br /&gt;Ela finalmente segue pelo corredor, buscando um lugar. Ele tenta, sem confiança, fixar seus olhos nas correspondentes esmeraldas da mulher. Naquele instante reconhece o valor de uma pedra preciosa: a sua raridade. Entende porque homens mataram e escravizaram por causa de um mineral tolo. Eles sabiam que essa simples pedra escondia uma mulher como aquela dentro de si! Agora era a mulher quem possuía a pedra em si, mas não a escondia. Exibia-a com orgulho e naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:25:55&lt;br /&gt;Cada pelo do corpo do Rapaz tenta se lançar ao ar, buscando o infinito longe deste exato lugar, desta exata hora. Querem escapar do que temem acontecer quando a mulher finalmente se sentar ao lado dele. Ela está tão próxima!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:26:55'15&lt;br /&gt;Passa em sua cabeça, em sequência, cada figura feminina que registrara em sua vida. Nunca houve tamanha beleza, nem magnetismo... Se sentia atraído por ela como um imã tolo e poderoso demais para seu próprio bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:26:56'15&lt;br /&gt;Ela se senta. Ele não sabe o que fazer, nem se deve fazer algo, na verdade. Apenas sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:27:02'00&lt;br /&gt;"Aceita uma bala?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12:27:04&lt;br /&gt;Ela aceita e sorri de volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13:06&lt;br /&gt;Seu ponto passou havia 15 minutos, mas ele não se importava. Cada minuto da conversa valeu a pena, e o número de telefone anotado na sua mão simplesmente o fazia esquecer de todas as outras obrigações para com o mundo - quem se importava? Quem merecia a sua atenção agora era aquela com quem ele esperava descobrir a beleza da humanidade. Enquanto isso, o ônibus segue saculejante por seu caminho cíclico, sem fim. Os profetas de coletivo, os trabalhadores e as senhoras decoram a viagem e todos os possíveis futuros que irão descer dela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-4527637609080143485?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/4527637609080143485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/06/sobre-uma-certa-viagem.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4527637609080143485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4527637609080143485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/06/sobre-uma-certa-viagem.html' title='Sobre uma certa viagem'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-3335435537551335554</id><published>2010-05-27T23:30:00.001-03:00</published><updated>2010-05-27T23:39:38.096-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Passagem</title><content type='html'>Era certo haver naquela tarde um clima mais pesado que o usual. Não queria sair perguntando ao vento o que estava errado, tampouco queria ouvir a resposta. Decerto o vento era presença mais agradável que qualquer um, era um ótimo ouvinte e companheiro. O Rapaz estava irritado era com as pessoas. Cada palavra cuspida ultimamente por elas estava tornando sua vida uma progressiva tortura. Sequer sabiam elas seu nome, talvez nem notavam sua presença ao redor. Elas só viam o que lhes convinha no mundo, e se não precisavam dele, simplesmente o ignoravam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com esses pensamentos no bolso, o Rapaz andava por um dos corredores frios de sua faculdade. O chão de pedra apenas tornava mais gélida a via crucis até sua sala de aula. Compenetrado em sua procissão, esbarrou distraído em um velho que cambaleava no sentido contrário. O Rapaz parou para se desculpar, notando que o idoso balbuciava algo para si, com olhos vazios e atônitos, e essa cena deixou-o intrigado. Se sentindo desconfortável, botou uma mão no ombro do homem e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo bem com o senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se ele acordasse de um transe ou um sonho, voltou seus olhos lentamente para o Rapaz. Abriu um infantil, porém deprimido sorriso e, com uma voz experiente e cansada, respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! Não tinha te visto... Está tudo como deve ser, a vida é a gente quem faz, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se você diz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Não sou eu quem diz, é a própria vida. Meu jovem, eu que lhe pergunto, tudo bem com você?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em qualquer outro momento, esse questionamento enfadonho faria o Rapaz se deleitar ao imaginar um enorme buraco negro sugando a senil aparição. Mas havia na voz dele um tom agradável, impedindo que a atenção fosse desviada. O estudante se viu impelido a responder sinceramente àquela criatura triste e frágil. Suspirando, falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu estou ótimo... As pessoas é que parecem não estar bem comigo por perto. Também não posso reclamar por me desejarem mal, apenas acho que elas simplesmente não desejam, não me sentem nem me percebem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu caro, acredite: sei precisamente como se sente! Melhor que ninguém, posso lhe dizer que você está enganado. Se incomoda de se sentar um pouco comigo? Como vê, estou velho e cansado, não se deve deixar um velho falante em pé - ele tende a falar mais e mais. Vamos, sente-se aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O banco indicado se encontrava em uma parte aberta do corredor, por onde o sol entrava e trazia um pouco de luz e calor ao ambiente recluso. O Rapaz se sentou distraído ao lado do velho, enquanto esse se ajeitava devagar sobre o assento. Paciente com a inesperada nova companhia, ele ajudou-o e cruzou as pernas, observando o movimento de pessoas à sua volta. Elas cruzavam pela sua frente sem aparentemente notar a cena pitoresca; parecia ao Rapaz que apenas ele tinha consciência da presença do velho ali ao seu lado, presença essa tão incomum. O velho parecia também acompanhar o andar dos passantes, e por fim disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cada passo para eles é tão curto! Sinto que deixei de dar apenas passos há décadas! Hoje sei que cada metro avante é uma odisseia para meu corpo. Isso o torna um herói, não é? - ele deu uma risada sarcástica, parou por um momento e prosseguiu - São esses os causadores da sua aflição?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou sempre cercado por eles - o Rapaz sorriu irônico, mas com certo desamparo - O mais engraçado nisso tudo é que eles todos convivem muito bem entre si, e só eu pareço me sentir sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diabos, vocês crianças sempre se julgam diferentes. O que vocês sabem? Ouça bem e talvez você aprenda: quem lhe segrega é você mesmo. O quanto eu custei para aprender isso! Hoje estou muito bem resolvido com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você aparenta ser tão solitário. Duvido que seja assim tão bem sucedido, senhor...? Err... Como é mesmo o seu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Em nenhum momento eu mencionei sucesso. Nem meu nome. Seja mais perspicaz! Os anos se avolumam sobre minha costas, e para cada vela no meu bolo há uma grande decepção. Vivi na espera de um grande amor, uma forte amizade, esperei tanto! O que eu quero lhe dizer é... É que você não pode ficar simplesmente culpando os outros, sabe? Levante-se e faça você essa amizade ou amor, é o que digo, levante-se e fale! Quem me dera eu tivesse alguém falando isso para mim na juventude...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor está abalado, acalme-se um pouco - realmente havia uma lágrima no rosto enrugado do velho, uma gota de lástima ou de ímpeto - Se servir de consolo, foi um prazer lhe conhecer. Sério. O senhor é um homem muito inteligente, lhe falo honestamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Muito obrigado, meu jovem, você está sendo generoso - o idoso desolado deixou escapar um sorriso de satisfação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Deixa disso, suas palavras foram realmente esclarecedoras!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rapaz pousou confortavelmente sua mão sobre o ombro do velho entristecido, que deitou um olhar profundo em seus olhos e depois se voltou para o chão. Aquele chão de pedra era impiedoso, frio e implacável. A figura senil parecia reunir forças para quebrar o silêncio que se seguia, esfregando as mãos nos joelhos. Enfim se levantou, mais calmo, acompanhado do Rapaz. Sorriu uma despedida tímida e começou a se dirigir sozinho para as escadas na saída do corredor escuro, dizendo sem se virar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Guarde bem minhas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rapaz acompanhou atônito a odisseia do velho rumo às escadas por alguns instantes. Quando o idoso estava a apenas um metro do primeiro degrau, o estudante de repente se agitou e gritou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espere! Você não me disse seu nome...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim, é verdade... - o homem, virando a cabeça de lado, sorriu pelo canto da boca - Meu nome é Ostracismo. Talvez um dia você esqueça meu nome, talvez esqueça que me conheceu. Tanto melhor. Adeus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rapaz se manteve atônito na mesma posição, enquanto via sua recente companhia sumir nos lances das escadas, passando fluidamente por entre as pessoas apressadas que subiam e desciam ao seu redor. Apesar de tão pitoresca figura, ninguém parecia notar sua presença.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-3335435537551335554?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/3335435537551335554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/passagem.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/3335435537551335554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/3335435537551335554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/passagem.html' title='Passagem'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-4323484274323063199</id><published>2010-05-23T23:07:00.000-03:00</published><updated>2010-05-23T23:07:57.862-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Terra bailarina</title><content type='html'>O vento na face, quem faz não é tão&lt;br /&gt;Concreto ou tangível, não posso tocar&lt;br /&gt;Mas há uma presença secreta no ar&lt;br /&gt;Vivendo escondida no giro do chão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tamanha é a força de tal rotação&lt;br /&gt;Que prende meus pés, me impede o voar&lt;br /&gt;Quem voa inerte no vácuo é meu lar&lt;br /&gt;Por entre o silêncio e a escuridão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escuro é o palco que a bailarina&lt;br /&gt;Se lança, na dança, com passo imortal&lt;br /&gt;Em cada compasso, ballet é sua sina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menina dos olhos de seu morador&lt;br /&gt;Eu sinto o vento e sei, não há mal&lt;br /&gt;Apenas os passos, o céu, seu calor&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-4323484274323063199?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/4323484274323063199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/terra-bailarina.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4323484274323063199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4323484274323063199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/terra-bailarina.html' title='Terra bailarina'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-2241767298879440691</id><published>2010-05-22T17:56:00.002-03:00</published><updated>2010-07-09T13:35:19.873-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Prólogo ao voo</title><content type='html'>Pássaros, bicos sobem&lt;br /&gt;Ao céu em paz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ícaro, cera e pena&lt;br /&gt;O Sol na tez&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zéfiro, sob a nuvem&lt;br /&gt;Voo em viés&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fátuo, fogo ou cena&lt;br /&gt;De luz fugaz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-2241767298879440691?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/2241767298879440691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/prologo-ao-voo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2241767298879440691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2241767298879440691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/prologo-ao-voo.html' title='Prólogo ao voo'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-2830929275810599508</id><published>2010-05-13T00:37:00.003-03:00</published><updated>2010-05-13T00:49:50.296-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta'/><title type='text'>Haverá um porém</title><content type='html'>Meu bem, esta carta é para que você saiba que tudo correu bem até agora. Não há motivos para se preocupar com meu bem estar. Ainda irei me adaptar a essa nova realidade, creio que isso vem com o tempo. Engraçado... O tempo aqui corre de maneira diferente, na verdade: ele caminha usando um passo lento, senil. Realmente, isso causa desconforto a princípio, considerando que eu sempre fazia da minha vida uma vertiginosa corrida. O irônico é ter chegado ao fim em primeiro, vencedor, e descobrir que o imbecil ganhador recebe o prêmio das mãos da própria Morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deixemos disso, quero saber notícias de você e das crianças. Saiba que pensei muito em você, naquele derradeiro momento, e também em nossas filhas. São meninas, não são? Eu peço desculpas, minha memória puiu, se desgastou tristemente desde então. Pelo que percebi, não me foi possível mantê-la imaculada, visto que nem mesmo seu nome me vem à cabeça. Nem me recordo com confiança do que havia antes... O que há comigo? Tenho de me lembrar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A angústia me corrói! Apenas aquela última sensação, ao me apoiar no parapeito, ficou gravada na minha mente, como a marca de Caim. Eu pensava em vocês... E me foi sentenciado esquecê-las, assim como tudo o que amei, para assim sempre me lembrar de que um dia amei, embora não mais haja espaço para se constituir outra coisa na qual eu possa apoiar meu eu. Havia você, havia as crianças e o mundo; agora inexiste para mim algo que interaja, estou preso à minha essência e à sua companheira, a solidão. Preciso que desse vazio me apareça um fio de esperança para agarrar, sua resposta a essa carta seria minha redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Espero tal resposta ansiosamente. Ainda conservo um propósito: busco essa paz comigo mesmo para compensar a culpa que agora experimento. O voo que me trouxe aqui, confesso arrependido, foi o êxtase máximo daquele que vivia ao seu lado. Mas quero me livrar do desamparo que pesa nas costas; ele pesa só de imaginar que deixei alguém no mesmo desamparo! Em meio ao nada eu rogo para que haja uma maneira de me desculpar, de lhe dizer tudo isso. Porém, tudo fica mais difícil quando não se sabe com quem se fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentarei então traçar a minha despedida do mundo. Quem sabe assim eu não consigo refazer meus passos e achar a ponta solta dessa corda? Havia na cena uma janela, certamente. O lugar... Agora sim, me chegam as imagens. O lugar era o apartamento de minha avó, um sétimo andar de vista linda! Como eu adorava observar por aquela janela as redondezas, sempre imaginando poder voar livremente através dela. Sim, a sensação fugaz de vertigem sempre me seduzia... Até que um dia decidi prová-la por completo. Serei digno de reprovação por ter buscado um toque verdadeiro de vida? Nunca alguém terá tamanha certeza de que se existe de fato! Confesso, o preço é a existência em si. Porém neste momento experimento, acima do desamparo, a recompensa por ter me descoberto em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me julgue egoísta, meu bem, nenhuma justiça seria adequada a essa situação. Encontrei meu propósito: estou em paz comigo mesmo. E assim que receber essa carta, saiba que corre tudo bem por agora. Ainda irei me adaptar a essa nova realidade, mas creio que isso vem com o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eternamente seu,&lt;br /&gt;Aliquem&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-2830929275810599508?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/2830929275810599508/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/havera-um-porem.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2830929275810599508'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2830929275810599508'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/havera-um-porem.html' title='Haverá um porém'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-4394271289703573445</id><published>2010-05-03T20:32:00.001-03:00</published><updated>2010-05-22T18:17:24.864-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Inocência</title><content type='html'>Fiz umas flores no papel...&lt;br /&gt;Ao terminar senti-me um tolo&lt;br /&gt;Boba culpa, ingênuo dolo&lt;br /&gt;Do sutil crime infantil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz no pão desenhos de mel...&lt;br /&gt;Tão doce o dourado miolo!&lt;br /&gt;Um novo ato falho e tolo&lt;br /&gt;Me puniu com culpa senil&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O juízo que é imposto&lt;br /&gt;Tolo, quem ouve e nada diz!&lt;br /&gt;Merece jamais ser criança&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fiel àquilo que gosto&lt;br /&gt;Tolo, admito, mas feliz!&lt;br /&gt;Eu vivo a honesta bonança&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-4394271289703573445?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/4394271289703573445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/flor-pao-e-mel.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4394271289703573445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/4394271289703573445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/05/flor-pao-e-mel.html' title='Inocência'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-9085946711737115605</id><published>2010-04-26T20:27:00.003-03:00</published><updated>2010-05-04T21:51:43.501-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Um silêncio</title><content type='html'>Um silêncio vale mais que a palavra; o que é dito é absoluto, enquanto eu me calo e deixo que cada sílaba fale por si, e cada ouvido ouça o que quiser. Essas que estão aqui são apenas palavras vãs. É mister que haja sempre esclarecimento sem ordem e, acima disso, sem influência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendam o que quiser, quero somente falar. Ironicamente, encontro meu conforto naquelas que tento rejeitar. Pois é, essas malditas palavras são meu ópio, serão minha ruína e enfim minha redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu caminho consciente para o precipício que beira um delírio, um mar de fantasia. Essas palavras são de um louco, são malditas! Espero ingênuo por uma mão que me segure antes do derradeiro passo, porque meu medo me impede de parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São apenas palavras silenciosas de um louco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-9085946711737115605?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/9085946711737115605/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/04/um-silencio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/9085946711737115605'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/9085946711737115605'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/04/um-silencio.html' title='Um silêncio'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-3322724043227240702</id><published>2010-04-22T20:04:00.001-03:00</published><updated>2010-04-22T20:04:43.566-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Fio de lã</title><content type='html'>Ovelha ao lado de ovelha&lt;br /&gt;Pronta para outro comando&lt;br /&gt;Pastando na rua, pensando&lt;br /&gt;Com pressa, ficando mais velha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada passo, outra passa&lt;br /&gt;Por onde passaram primeiro&lt;br /&gt;Mais pés, mais patas do inteiro&lt;br /&gt;Rebanho no pasto da massa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois eu e a massa somos um&lt;br /&gt;Anônimo, somos nenhum&lt;br /&gt;Acima de mim, sou vocês&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eis que eu posso ser dois&lt;br /&gt;Ainda ser eu, e depois&lt;br /&gt;Ser, sim, alguém entre nós três&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-3322724043227240702?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/3322724043227240702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/04/ovelha-ao-lado-de-ovelha-pronta-para.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/3322724043227240702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/3322724043227240702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/04/ovelha-ao-lado-de-ovelha-pronta-para.html' title='Fio de lã'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-2729304213043555246</id><published>2010-04-15T01:03:00.001-03:00</published><updated>2010-04-15T01:04:37.278-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Autor de si</title><content type='html'>O quadro emanava cores e formas astrais, acariciando o ego de seu autor. O Pintor dava apenas retoques finais, sabendo ser sua obra quase finita sobre o cavalete. E que obra! Ela elevava a arte a um nível sublime, inflando no observador todas as sensações capazes de serem estimuladas pelo belo. E que belo! O Pintor queria mostrá-la para todos, sair de seu apartamento para a rua, exibindo seu troféu de satisfação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí ele para. Há algo errado com seu quadro. Olhando com cuidado, o Pintor percebe uma aparência um tanto cabisbaixa nele. O que havia de errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sei, tenho me questionado... Bem, sobre esses paradigmas de sentido da vida e seus propósitos. Tu, Pintor, já te perguntaste por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hã?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nunca foste curioso com sua existência? Na minha condição de obra, me aflige não compreender por quê eu sou quem sou. Tu, criador, és capaz de me sanar as dúvidas que te exponho? Realmente necessito ouvir isso de ti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas eu não fiz você com um objetivo, sabe. Eu simplesmente te fiz, sem esperar nada disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Isso soa muito fútil, é impossível minha criação ter sido baseada num ato espontâneo de um homem! Seria destroçar minhas expectativas; e tu ainda por cima defenestras meu ego pela janela desse apartamento, agora tão insensível e sem alma. Não tens compaixão, ou não és sábio como eu esperava...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Pintor se sensibilizou com o lírico desconsolo do jovem quadro, mas que podia fazer? A arte estava correndo pelas suas veias, não sendo calculada por seu cérebro; pelo menos, não conscientemente. Essa mesma arte era fruto do que ele sentia, não do que planejava. Será que um quadro entenderia isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não faz muito sentido para mim... Que queres dizer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tente ver dessa forma: você é arte. Ela não precisa de um motivo empurrando-a, apenas de um gatilho acionado, e assim explodem formas e cores. Se eu resolver fazer um vaso, escrever um conto ou cantar, estou querendo mostrar que sinto vontade de ser humano. E você passa a existir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...Afinal, eu sou arte... Sou eu, mas meu eu é tudo que fazes para te sentir mais próximo de ti, expondo-te pra te apropriar do que imagino ser ego, ser eu, na verdade ser tu. Pintor, como é o ser humano? Como é ser humano...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois é, como posso te explicar? É mais fácil pôr assim: um animal come, descome e dorme. É natural, se espera isso dele. Ele mesmo desconhece outras ações que o confortem, não é? Mas com um homem é diferente. Ele procura além do instinto, querendo o que lhe for belo. Quando o Pintor trabalha, ele trabalha pelo prazer de gerar prazer, por meio de algo que não é necessário à vida, mas que a torna agradável de se viver!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A alegria do Pintor tomou conta de seu quadro, lhe devolvendo cores e formas vivas como um astro de luz própria. Se sentindo novamente orgulhoso, ele suspirou profundamente e olhou pela janela de seu apartamento, buscando o mundo lá fora. Viu uma cidade densa e movimentada, um formigueiro de pessoas se locomovendo apressadas e atarefadas. O mundo que ele achou tentava esforçadamente parecer concreto e frio. Mas em cada cantinho da imagem via traços de emoção e imaginação. Seus olhos voaram da janela até pousar carinhosamente no quadro. Depois viraram para dentro de si e perguntaram quem na verdade seria a obra de arte, afinal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-2729304213043555246?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/2729304213043555246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/04/autor-de-si.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2729304213043555246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2729304213043555246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/04/autor-de-si.html' title='Autor de si'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6747935774954892933</id><published>2010-03-30T19:38:00.000-03:00</published><updated>2010-03-30T19:38:17.875-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Gatos</title><content type='html'>A falta de argumentos deixou ele arredio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ela gosta de gatos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E qual é o maldito problema? Você já não disse que ela é maravilhosa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia quase duas horas que ele buscava um motivo contrário, mas a verdade não dava trégua. Sua consciência parecia ter lhe traído, finalmente dando um basta na discussão:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela representa exatamente aquilo que você busca em todas, em tudo. Ainda assim você questiona... Ela é linda, incerta e interessante. Não era isso que você buscava para si?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela é difícil de se alcançar. Ainda por cima, tem problemas e experiências que você nunca teve chance de viver antes. Qual a sua dúvida, afinal?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela faz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela, ela, ela! Chega de me atormentar! Já tenho dificuldade demais em assimilar a situação. Me dá um tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou esquecê-la, inutilmente. Fechou os olhos e se pôs a pensar. O momento pedia razão... Mais que isso, pedia racionalidade! Deveria balancear os pontos dessa relação, ainda que platônica, e julgar a validade dos benefícios de amar tal mulher. Amar era um cálculo, afinal! Ele se confortou e começou a trabalhar no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça maquinava furiosamente, até que ele percebeu a ironia de seu comportamento. Queria racionalizar algo que seu peito lhe explicava toda vez que ela falava ou apenas olhava para ele. Não adiantava querer amá-la. O que ele sentia era simplesmente orgânico com os outros fatos da vida. Perceber a inutilidade do esforço novamente trouxe à tona sua consciência:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Diga lá, chegou a uma conclusão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu? É... Não sei. Sinceramente não sei o que pensar de tudo isso. Pode parecer estranho, mas essa pequena decisão parece mudar o jeito como eu vejo as coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Talvez não seja tão estranho. Só o fato de você ter ponderado sobre isso já te faz diferente, concorda? Eu, mesmo sendo você, estou impressionado como nós percebemos o valor do seu amor na forma como eu guio nossa vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E o que eu faço agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Viva. O resto deixa comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você tem certeza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, mas eu não me importo. Imagino que nem você, não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É, realmente não. Só uma coisa que me deixa meio intrigado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ela continua gostando de gatos... E agora?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6747935774954892933?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6747935774954892933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/03/gatos.html#comment-form' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6747935774954892933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6747935774954892933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2010/03/gatos.html' title='Gatos'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6870911906745931885</id><published>2009-11-27T16:44:00.002-02:00</published><updated>2009-11-29T16:17:07.039-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carta'/><title type='text'>Carta a nós dois</title><content type='html'>Você faz falta, mesmo sem nunca ter sido minha. É engraçado perceber que você, sua presença, me implanta memórias falsas de um passado feliz. Maldita falsa nostalgia. Talvez isso seja resultado de todo o tempo gasto por mim imaginando como seria bom finalmente viver um romance, ainda mais com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você. Devo lhe dar um nome? Se daqui a alguns anos eu reler esses pensamentos, já serei um outro eu, será que ainda recordarei do seu gosto? Será que acordarei e encontrarei o seu rosto? Sua imagem me traz dúvidas. Memórias e dúvidas, falsas e hipócritas. Tudo corre como em um sonho: o absurdo é latente, eu sei que estou sonhando, mas torço para que os cinco minutos que me restam de sono durem, perdurem, se perpetuem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou farto de despertar, com um tapa da realidade, de minha droga onírica. Estou cansado, entretanto, de ser incapaz de sentir na pele a vida, o vento, você. Meu mundo está fadado a ser marginal. Às vezes me parece que sou etéreo, impossibilitado de tocar aquilo que é tangível aos outros. Deve ser tolice minha. Posso fazer o que quiser, sou livre! Posso te olhar, posso até te dar um nome. É tudo que eu quero. É tudo que eu posso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu quero também poder transformar meu sonho em um reflexo do real. Desejo não ter mais desejos, já estou saturado deles. Quero apenas realização... Talvez esteja pedindo demais, sinto que devo ser mais justo. Agradeço, portanto, pelo maior favor que você poderia me conceder. Estou profundamente agradecido por você ter me ouvido, isso é tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atenciosamente&lt;br /&gt;Arthur&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6870911906745931885?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6870911906745931885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/11/carta-nos-dois.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6870911906745931885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6870911906745931885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/11/carta-nos-dois.html' title='Carta a nós dois'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-3272148869675639347</id><published>2009-09-29T23:47:00.003-03:00</published><updated>2009-10-01T18:39:51.112-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Enxaqueca</title><content type='html'>Uma profunda dor de cabeça o atormentava naquela noite. A caneca de cerveja normalmente não seria o melhor remédio, mas a noite clamava por uma. Afinal, eram três horas de uma quente madrugada de sábado, três malditas horas depois de resolver sair com amigos do tempo de escola. A noite trouxera resultados péssimos. Estava agora apoiado em seus cotovelos na bancada de um bar, olhando para dentro de seu copo meio vazio, esperando que o álcool fizesse efeito. O sangue ia se diluindo em suas veias na medida em que suas pupilas iam se dilatando. Queria esquecer as três últimas horas de sua vida, resgatara o passado do fundo de sua mente e se arrependera disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia que chegara, horas mais cedo, no restaurante combinado esperando encontrar velhos companheiros. Não contava era com a presença de um antigo amor. Nem sabia se poderia chamá-la de amor, chamava-a de Luiza, isso bastava. Junto a ela havia também um acompanhante, alguém que passou despercebido na memória, mas que sepultava enfim a esperança que perdurara uma vida. E a flor do menino, que amadurecera anos esperando correspondência, secou ao cabo de uma hora. Luiza era virtualmente perfeita, e vê-la inatingível ao seu lado foi o derradeiro golpe da noite em sua cabeça. A dor latejava incessantemente. Após o encontro ele rumou entorpecido pela rua, a decepção o guiou para longe dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A dor de cabeça agora era boa, fazia-o esquecer o que se passara. Havia ao seu redor apenas decorações vivas de um teatro trágico. Pensou em destino, em sorte, e voltou seus olhos para sua bebida. Olhando ainda para o copo, ouviu o barulho repentino da rua entrar no ambiente e rapidamente cessar. A porta do bar se abrira para a passagem de uma figura mística. Uma mulher belíssima, alta e de fulvos cabelos longos atravessou devagar e decidida o ambiente. A luz indireta nas paredes trazia à vista uma imagem etérea, mas a figura feminina a perfurou lentamente. Horas antes, malditas três horas antes, essa mesma mulher o havia tirado desse mundo, agora chegava puxando-o de volta com violência. Ele se viu sem ação, seu copo meio cheio vacilou em sua mão. Antes de qualquer instinto ou reação, Luiza se sentou ao seu lado. Ela falou a meio tom, sem encará-lo: "Por que você saiu daquele jeito? Deixei até meu irmão lá no restaurante, queria te ver. Estava com saudades de conversar contigo". Irmão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a realidade lhe acertou em cheio no rosto, levando junto a enxaqueca. A noite ganhava uma feição mais agradável agora, e a vida ganhava uma luz. O calor e o burburinho foram esquecidos junto com as horas anteriores, detalhes apenas. Começava assim um novo dia, e mesmo sem ter a certeza, havia consigo a ingenuidade necessária para sonhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-3272148869675639347?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/3272148869675639347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/enxaqueca.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/3272148869675639347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/3272148869675639347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/enxaqueca.html' title='Enxaqueca'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-2403792382594943964</id><published>2009-09-28T17:30:00.001-03:00</published><updated>2010-04-22T20:05:39.529-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Suave</title><content type='html'>Uma palavra lhe escapa da boca&lt;br /&gt;E desnuda assim um sentimento&lt;br /&gt;Como ave que se lança ao vento&lt;br /&gt;Após sair da mais alta toca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acomodada do topo de um tronco&lt;br /&gt;Fino e belo ao frio do relento&lt;br /&gt;Finos lábios, tais quais ornamentos,&lt;br /&gt;Soltam aves com uma força rouca&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consoantes com o doce som&lt;br /&gt;Que propaga ondas pelo ar&lt;br /&gt;Onde voa sua ave-falar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ouvido um ruído bom&lt;br /&gt;Asas das palavras a voar&lt;br /&gt;E enfim em meu ombro pousar&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-2403792382594943964?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/2403792382594943964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/suave.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2403792382594943964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/2403792382594943964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/suave.html' title='Suave'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-6151072278644310358</id><published>2009-09-24T22:05:00.001-03:00</published><updated>2010-04-22T20:06:06.079-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soneto'/><title type='text'>Dândi</title><content type='html'>A musa atua, simples,&lt;br /&gt;Escondendo sua divindade&lt;br /&gt;Dos outros sem, na verdade,&lt;br /&gt;Saber seu real papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na peça aberta ao céu&lt;br /&gt;A musa muda de idade,&lt;br /&gt;De trajes, de vaidades.&lt;br /&gt;Declama suas ideias,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conquista sua plateia.&lt;br /&gt;Entro os atos, na passagem,&lt;br /&gt;Longe da multidão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se fecha em seu camarim.&lt;br /&gt;Aninha-se entre cetim,&lt;br /&gt;Champagne e solidão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-6151072278644310358?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/6151072278644310358/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/dandi.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6151072278644310358'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/6151072278644310358'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/dandi.html' title='Dândi'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-7965466661194108253</id><published>2009-09-21T15:54:00.001-03:00</published><updated>2010-04-11T11:20:12.603-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Despertar</title><content type='html'>Pouco reparara antes no parque em frente a seu quarto, sempre vazio. Se assemelhava a um bosque europeu, calvo e organizado. Sua infância fora próxima a esse parque. Um período recente, mas já afastado pelo abismo da adolescência e que levara consigo a simplicidade e a alegria que o local trazia. A vida tinha se tornado agora curta e efêmera para se viver, o imediato valia mais do que o prazer do incerto. Pensava nisso quando resolveu se sentar à sua janela e assistir ao Sol trilhar o céu da tarde. Havia um mundo esperando por ele fora da porta do quarto, mas se convenceu que tardes de domingo mereciam uma paz, mesmo que forçada, para dar trégua ao corpo cansado. Olhou para fora e enxergou o parque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela específica tarde estava ela ali, sentada a um banco distante, segurando um livro e balançando despreocupadamente sua perna rente ao chão. Um movimento fútil, difícil de chamar a atenção de olhos distraídos. Contudo, foi ele que o hipnotizou, deixando-o fixo em seu posto. Não deveria ser assim, ele só queria ver passar o tempo, ganhara agora uma ocupação que o induzia a um transe bobo. A trégua deu lugar a uma avassaladora curiosidade por saber quem seria ela. Incomodamente, a imagem abrira portas para pensar rostos e personalidades. Desacostumado a enxergar tão pouco e ver tamanho conteúdo, deixou-se estar naquele momento infinito e inerte no tempo. Encarar o baque do esclarecimento foi uma tarefa ingrata a princípio; a mulher (seria uma menina apenas?), na medida em que o instante se tornava período, tomava formas e deixava-se etérea na mente dele. Cabelos negros, fios de azeviche, tornavam a trilha do Sol mais delineada sobre ela, e ela respondia à mágica da cena com indiferença. Ele estava com medo agora. Pensava em como saciar o espírito de outra forma que não ir lá de imediato e perguntar ao menos o nome da mulher. Para evitar o impulso, agarrou firme no parapeito e desejou esquecer tudo, pensou no branco, no zero, no nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho de uma porta se abrindo o acordou, assustando-o. Parou para se lembrar onde estava, sabia ao menos quem era. Ou quem deveria ser. A janela sumira e ele estava em pé em frente a um espelho. O ambiente se assemelhava a um banheiro, seu banheiro. As mãos estavam doloridas por estar agarrando fortemente as bordas da pia. Levantou os olhos e encarou o espelho: atrás de si, refletida na imagem, estava uma mulher parada na porta, linda e com cabelos de azeviche. Ela o olhava de forma afetuosa e feliz, enquanto ele voltava seus olhos para o próprio reflexo e tentava entender o que estava acontecendo. Sentindo então ser envolvido por um tenro abraço, olhou a mulher e desejou se lembrar de tudo. Ela lhe beijou a face e foi sentar-se na cama do quarto, em frente à porta do banheiro. Pegou um livro ao lado e começou a ler distraidamente, balançando sua perna rente ao chão. Ele lavou o rosto, suspirou ao se voltar para trás e perceber que não havia enganos, o mundo era o mesmo de antes. Apenas acordara para a vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-7965466661194108253?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/7965466661194108253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/pouco-reparara-antes-no-parque-em.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/7965466661194108253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/7965466661194108253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/pouco-reparara-antes-no-parque-em.html' title='Despertar'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-1944348356896816897</id><published>2009-09-21T13:41:00.002-03:00</published><updated>2010-06-14T01:20:00.117-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema Livre'/><title type='text'>Fugazes</title><content type='html'>Tão fugazes e imprevisíveis&lt;br /&gt;Os movimentos das suas mãos&lt;br /&gt;De tão delicadas que são&lt;br /&gt;Me elevam a certos níveis&lt;br /&gt;Que meus olhos tão sensíveis,&lt;br /&gt;Acostumados com a escuridão,&lt;br /&gt;De tão delicados que são&lt;br /&gt;Se cerram imcompreensíveis&lt;br /&gt;Às luzes, e suas mãos, livres,&lt;br /&gt;Buscando as minhas mãos&lt;br /&gt;De tão delicadas que são&lt;br /&gt;Me dominam irredutíveis&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-1944348356896816897?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/1944348356896816897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/fugazes.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1944348356896816897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/1944348356896816897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/fugazes.html' title='Fugazes'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1751808039496967357.post-8654590574844314424</id><published>2009-09-20T23:05:00.000-03:00</published><updated>2009-09-24T22:18:42.959-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Buscando um princípio</title><content type='html'>"Tudo bem, sou uma criança e tenho consciência disso. Mas por que não posso decidir sobre minha vida?!". Eram onze horas de uma estagnada noite. Mesmo a ausência quase total de luz no quarto não impedia Dante de enxergar as paredes pintadas. Ele riu ao lembrar-se de quando começara sua obra de arte. Paredes brancas de um quarto pedem o toque pessoal de seu residente; no caso de Dante, a decisão de registrar dinossauros foi a melhor maneira de expressar o momento. Os giz de cera rasgavam o limite de seu cárcere quando sua mãe apareceu de supetão na porta, trazendo ares de reconciliação e levando um tornado de frustração. Horas antes ela o havia posto de castigo por não fazer seu dever de casa, preferira escrever poemas no quintal de sua avó. O arrependimento durou o tempo de voltar para casa, mandá-lo para o quarto, preparar a janta e ir liberá-lo da punição. Dante não entendera por que sua mãe, ao ver as paredes cobertas de pinturas rupestres, manifestara decepção e cansaço. Esperava receber um elogio, ou talvez fazê-la esquecer dos problemas que vinha enfrentando. Afinal, já haviam passado por dificuldades antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sei que não podemos comprar brinquedos agora, nem ir ao cinema... Mas qual será o problema de tornar meu quarto mais bonito?". Dante olhou para sua criação e procurou por um instante entender a reação de sua mãe. Não julgava a pintura uma sujeira, mas sim algo belo. Era realmente algo, talvez não tão belo, mas era algo. Algo melhor do que sentar e ver o mundo seguir. Receber deveres idiotas era como se sentar, fazê-los era ligar o canal do mundo na televisão. Dante abriu um largo sorriso, sabia que iria bem no final, contava com sua capacidade de se sair bem sem estudar muito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mamãe ainda está na sala trabalhando, coitada. Talvez amanhã ela veja o desenho e fique mais feliz". De repente, a porta do quarto se entreabriu e o rosto de sua mãe surgiu, cansado. Ela não percebeu que, ao sorrir vendo os dinossauros coloridos, Dante também sorria pelo mesmo motivo. Decidida a se redimir no dia seguinte, ela entrou furtivamente e beijou na testa de seu filho um desejo de boa noite silencioso. Dante o recebeu quieto, esperou ela sair e voltou a divagar sobre os recentes acontecimentos. Não entendia todos os processos que ditavam a situação, mas sabia que a mente humana era complexa demais, o imprevisível deixava-o confuso. Após alguns minutos de profunda reflexão, Dante virou de lado e dormiu, esquecendo enfim dilemas e conjecturas. Voltando ao simples escuro de antes, sonhou com dinossauros coloridos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1751808039496967357-8654590574844314424?l=desorganizo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desorganizo.blogspot.com/feeds/8654590574844314424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/buscando-um-principio.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8654590574844314424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1751808039496967357/posts/default/8654590574844314424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desorganizo.blogspot.com/2009/09/buscando-um-principio.html' title='Buscando um princípio'/><author><name>Arthur</name><uri>http://www.blogger.com/profile/17555237264473553087</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-VXlLQc3D9Cg/Tkp41X_TiVI/AAAAAAAAAKk/gfPh5fE0V0k/s220/DSCF1547.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
